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Chiquinho Conde chega hoje, Zainadine e Reginaldo foram deportados ontem

Fotos: FMF

Zainadine Jr e Reginaldo foram deportados da Mauritânia por anomalias na documentação e falharam o jogo de ontem diante do Níger e vão falhar, também, o jogo com Mauritânia no sábado. Em sentido contrário, ainda que tenha sido (ou seja) prejudicial aos Mambas, Chiquinho Conde chega hoje a Nouakchott para orientar embate de sábado.

A Data-FIFA de Março para os Mambas tem sido assolado por maus momentos e ambiente turvo para o que se espera da selecção nacional nestes jogos de preparação com vista aos quatro jogos que terá em Junho, de qualificação ao CAN-2023, na Costa do Marfim.

E tudo começou com a lesão de Witi, que depois de anunciado e substituído por Melque, o mesmo apareceu no banco de suplentes na vitória do Nacional da Madeira diante da Académica. Depois foi o seleccionador nacional que, depois do anúncio da convocatória, na semana passada, regressou a Portugal para participar de um fórum de treinadores, alegadamente para aumentar os seus conhecimentos em matérias de futebol.

Ainda que tenha sido um fórum facultativo, em que a presença não era de carácter obrigatório, até porque acontecia nas vésperas de uma Data-FIFA, em que muitos seleccionadores estariam envolvidos com os trabalhos das respectivas selecções, Chiquinho Conde optou por deixar os Mambas à mercê dos seus adjuntos e só esta quinta-feira vai se juntar ao combinado nacional para preparar o jogo de sábado.

Vale dizer que Conde vai ter apenas dois dias para conhecer os jogadores antes do jogo diante da Mauritânia.

 

ZAINADINE “TRAMADO” PELO PASSAPORTE E A CLAMAR DE FALTA DE APOIO DA FMF

Falhou Chiquinho Conde o embate contra o Níger, o mesmo que aconteceu com Zainadine Jr. e Reginaldo Faite, que até estiveram em território mauritano, mas não se juntaram aos Mambas devido a problemas com a sua documentação, que vai afastar os dois jogadores também do embate de sábado, diante da Mauritânia.

O vice-capitão da selecção nacional, Zainadine Jr., ficou logo retido após o desembarque em Noukchott, por possuir um passaporte que está a cinco meses de expirar, quando no território mauritano só é aceitável entrar quem tiver o documento com mínimo de 180 dias de validade.

Isto valeu ao jogador do Marítimo um tratamento indecente por parte do aparato militar presente no aeroporto, que imediatamente recolheu o passaporte do atleta, que acabou por ficar retido por mais de 24 horas, tendo sido “deportado” na manhã de ontem, de regresso a Portugal.

Zainadine Jr. disse que não teve nenhum apoio dos dirigentes da Federação Moçambicana de Futebol, segundo escreve o jornal electrónico Jogo Aberto. “A Federação não fez absolutamente nada por mim. Eles não foram ao aeroporto buscar-me. Tive que fazer tudo pessoalmente. Fiquei retido desde a 1:40 e a federação só chegou ao aeroporto por volta das 15h. Não procuraram saber de mim por iniciativa própria, só o fizeram quando o técnico dos guarda-redes e Jumisse perguntaram por mim. Nem se quer comida deram, tive que pagar do meu bolso. E se eu não tivesse dinheiro comigo?”, perguntou Zainadine citado pelo Jogo Aberto.

A FMF, que estranhamente devia ter acautelado toda a logística e, por conseguinte, advertido os jogadores sobre as normas vigentes na Mauritânia, interveio, mas debalde.

Depois de longas horas de espera, teve de haver uma intervenção diplomática a partir de Maputo, para que a situação do jogador fosse resolvida, tendo depois, imediatamente regressado a Portugal.

Ainda assim, Zaina diz que foram os seus próprios contactos que garantiram a sua liberação do aeroporto da capital mauritana. “A Federação chegou aqui por volta das 15h e, entre 17 e 18 horas, estavam a mandar-me mensagem a dizer que não estão a conseguir entrar e que estavam a ir-se embora. Foram os meus contactos que possibilitaram que eu viajasse de regresso a Portugal”, concluiu, citado pelo mesmo jornal electrónico.

Entretanto, o internacional moçambicano chegou ainda ontem a Portugal, tendo depois usado a sua conta das redes sociais para agradecer a todos que o ajudaram a solucionar o problema que o “privou do mundo” durante 24 horas na Mauritânia. “Amigos, gostaria de agradecer a todos pelo apoio que me prestaram nestas horas difíceis. Estou bem e já de regresso a Portugal, ao meu clube. Bom jogo malta, vamos com tudo”, escreveu Zainadine Jr.

 

REGINALDO MANDA “PASSEAR” VACINA DA COVID-19

Quanto a Reginaldo, o cenário é delicado. A actuar e a residir na Albânia, o avançado tem o visto de residência expirado. Não tem, estranhamente, cartão de vacinação contra a COVID-19, um requisito imprescindível para quem actua ao mais alto nível.

Como resultado, foi imediatamente ordenado a regressar no mesmo avião que o levou à Nouakchott, tendo feito escala em Paris, para depois rumar a Maputo, onde vai regularizar a situação do visto.

São situações que colocam em causa a forma como a FMF organizou a participação de Moçambique neste torneio. Contactada pelo “O País”, a instituição que dirige o futebol em Moçambique prometeu reagir esta quinta-feira.

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