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Chipande partilha memórias da luta armada em livro

É, para muitos, autor do primeiro tiro na luta armada de libertação nacional. Para outros, reticências. Chama-se Alberto Chipande, e, esta quinta-feira, em Maputo, lançou a obra Como eu vivo a minha história, na qual regista façanhas indeléveis, acumuladas ao longo dos seus 79 anos de vida. Para o efeito, o antigo combatente confiou na pena de Felisberto Uthui, a quem coube pesquisar, ouvir, processar informações e, finalmente, expressar em palavras o que já não dava para o General de Exército conter no seu universo interior.

Com efeito, neste livro com 538 páginas, Alberto Chipande recua o tempo para ir buscar no passado e em espaços particulares todo o conjunto de peripécias que conspiraram para que hoje não fosse um homem anónimo. Longe disso, a história de Chipande, e essa é sua convicção, confunde-se com a da Frelimo e, consequentemente, do país inteiro. Por essa razão, o herói da luta armada resolveu partilhar com os moçambicanos as suas memórias. A esperança é que as mesmas sejam uma herança documental para as gerações vindouras, daí o pedido dirigido aos potenciais leitores: “Por favor, fazeis o melhor uso, para que pesquisadores, críticos, documentaristas, historiadores e demais académicos o tomem como o instrumento para melhor conhecimento da história da Frelimo e de Moçambique, que, quer queiramos ou não é a história da nação moçambicana”, afirmou Alberto Chipande na cerimónia de lançamento.

 Como eu vivo a minha história é um livro constituído por 11 capítulos, oscilando entre a origem e identidade cultural do povo makonde e o longo percurso para a independência nacional. Pelo meio, Chipande conta a sua chegada a Dar-es-Salaam, Tanzania, as experiências com os seus camaradas e a cumplicidade daí resultante. É um livro que exalta a obra dos heróis nacionais, não obstante, sem excluir a denúncia dos pecados cometidos pelos reaccionários.

Este primeiro tomo das memórias do General Chipande – o segundo está no prelo – tem o prefácio do Presidente da República, quem considera Como eu vivo a minha história o livro mais esperado pelos moçambicanos. E, voltando ao caso primeiro tiro, no prefácio do livro Filipe Nyusi adianta: “Antes de nos matar de ansiedade, quanto ao tiro que oficialmente é considerado o primeiro, da Luta de Libertação Nacional, esclarece [Chipande] os equívocos resultantes desse passo histórico e das datas em que alguns factos se deram, cuja importância é hoje mais relevante do que na altura em que tiveram lugar, adulterados pela idade dos seus protagonistas (…)”. Aliás, na cerimónia de lançamento, realizada num dos hotéis de Maputo, Nyusi assumiu que há muito que esperava por respostas de questões atinentes à história do país. Por isso o Presidente felicitou publicamente o General por colocar na prateleira literária nacional mais uma versão das odisseias e epopeias moçambicanas.

Como eu vivo a minha história é um livro com edição do autor. A coordenação editorial foi feita pelo redactor da obra, Felisberto Uthui, e pelo editor da Fundação Fernando Leite Couto, Celso Muianga.

O percurso do professor que trocou o giz pela arma

Alberto Chipande nasceu a 10 de Outubro de 1939, em Mueda, Cabo Delgado. É o quinto filho dos seus pais. Estudou na Missão Santa Teresinha do Menino Jesus de Imbuho até à 3ª classe rudimentar, prosseguindo os seus estudos em Mariri, onde concluiu a quarta classe elementar. Não só de armas foi feita a sua vida, afinal, bem antes da luta armada, Foi professor e catequista. Torna-se militante clandestino da MANU – um dos três movimentos de que resultou a Frelimo –, a partir de 1956. Juntou-se a Frelimo em 1963. Teve treinos militares na Argélia. Bem mais tarde, depois da independência nacional, foi Ministro da Defesa e Governador da Província de Cabo Delgado, Deputado da Assembleia Popular. Actualmente, é membro do Comité Central e da Comissão Política do partido Frelimo, integrando o Conselho de Estado. É casado e é pai de oito filhos.

 

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