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“Chapeiros” e condutores particulares disputam passageiros no bairro Intaka

Foto: O País

Transportadores semi-colectivos e condutores particulares disputam passageiros no bairro Intaka, localizado no Município da Matola, e, vezes sem conta, entram em guerra. A Polícia Municipal está de mãos atadas para intervir, devido à falta de transporte.

Vários automobilistas particulares, nas paragens, transportam passageiros até ao terminal de chapas de Zimpeto, todas as manhãs, no bairro Intaka. A razão é a falta de transporte público, porque quem devia provê-lo não consegue fazê-lo.

Para evitar que os cidadãos percorram longas distâncias a pé, de Intaka até aos seus destinos, ou se atrasem, automobilistas particulares meteram-se no negócio de quem tem licença para exercer o transporte público de passageiros, facto que causa desentendimento.

Acácio sempre se levanta cedo para fazer do seu carro um veículo de transporte de passageiros. Segundo o automobilista, a finalidade não é o dinheiro que cobra, mas sim ajudar quem precisa de chegar ao seu destino a tempo.

“Desde a eclosão da pandemia, perdemos emprego. Ora a família precisa de se alimentar. Se ficarmos com carro em casa, vamos passar fome”, explicou a fonte.

Marcelo Caetano, outro automobilista que tem transportado passageiros, afirma: “Ao ajudar a pessoa a chegar ao seu posto de trabalho – [lev­á-la de Intaka para Zimpeto ou vice-versa] – não perco nada”.

Júlio, mais uma pessoa que ajuda as outras a deslocarem-se de um ponto para o outro, justificou a sua atitude: “Não há transporte. Nós tentamos ajudar o povo; se isso é crime ou pecado não sabemos, mas pedimos às autoridades governamentais que revertam o cenário. Estamos em bairros de expansão. Todos os jovens saem da cidade para cá, mas o Governo não aloca transporte”.

É uma disputa por passageiros, que envolve transportadores semi-colectivos, viaturas particulares e condutores de “txopelas”. Fábio Jeremias, motorista, repudia a atitude dos automobilistas.

“Na minha opinião, não [eles não podem transportar passageiros], já que eles não estão licenciados para tal. Quanto às pessoas que vão ao trabalho, até podem transportar, mas o problema é que vão até ao Zimpeto e voltam, facto que prejudica o nosso trabalho”, condenou o motorista de transporte semi-colectivo de passageiros.

Fernando Mandlate ficou várias horas na paragem, sem conseguir apanhar transporte. Para disfarçar o tédio, mexia constantemente o seu celular, à espera de “chapa”. “A paragem está cheia, isto é como se fosse uma espécie de terminal, pessoas de vários bairros tentam, aqui, ganhar tempo para o serviço. Este lugar anda muito cheio, mas, com ajuda de alguns particulares, acabamos por chegar aos nossos destinos.”

Carros particulares fazem várias viagens de Intaka para Zimpeto na presença da Polícia Municipal, que, ciente da falta de transporte, não encontra espaço para exigir licença de transporte aos automobilistas.

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