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“Chalane” faz 19 feridos, destrói e deixa Sofala a caminho do Zimbabwe

Dezanove pessoas deram entrada no Hospital Central da Beira devido a ferimentos graves e ligeiros causados pela tempestade tropical “Chalane”, que esta quarta-feira assolou a província de Sofala. Duas vítimas continuam hospitalizadas.

Dos 19 feridos, nove são do distrito de Nhamatanda. Dez cidadãos contraíram ferimentos quando tentavam consertar tectos, portas e janelas das suas infra-estruturas.

O porta-voz do Hospital Central da Beira, Ricardo Molinho, explicou que maior parte das vítimas já teve alta médica e as duas que permanecem internadas não correm perigo de vida, apesar das fracturas.

“Infelizmente, na tentativa de consertarem os seus tectos, duas pessoas caíram e contraíram ferimentos que requerem cuidados médicos especializados, pois tiveram lesões preocupantes, nomeadamente na coluna vertebral e na coxa. Estas duas pessoas estão internadas. Recebemos ainda oitos doentes com ferimentos ligeiros”, disse Ricardo Molinho.

Contra todas as previsões e temor, a tempestade tropical “Chalane”, atingiu Sofala, em particular a cidade da Beira, com uma velocidade relativamente fraca e pouca chuva.

Além de ferir 19 indivíduos, dois dos quais com gravidade, “Chalane” destruiu tectos de casas de construção precária.

A mobilização de pessoas para locais seguros, a tomada de medidas de precaução e a redução da intensidade de ventos podem ter contribuído para minimizar o impacto da tempestade.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) assegurou que que a cidade da Beira já não está em risco. O fenómeno atingiu o seu pico por volta das 06h00 desta quarta-feira, a uma velocidade de 104 km/h, contra a anterior previsão de ventos até 140 km/h.

Horas depois de a tempestade abrandar, os beirenses “arregaçaram as mangas” e individual e colectivamente repararam os danos provocados pelo “Chalane”, removeram o lixo criado pelos ventos e os obstáculos como sacos contendo areia que foram colocados para a protecção de infra-estruturas.

A tempestade tropical severa “Chalane” passou a moderada e já está no Zimbabwe, onde as autoridades retiraram compulsivamente a população das zonas de risco.

O meteorologista Acácio Tembe, afecto ao INAM, disse que no dia 01 de Janeiro a tempestade “Chalane” vai fustigar Botsuana, onde gradualmente irá se dissipar.

“A tempestade tropical Chalane já se encontra sobre o Zimbabwe, estando progressivamente a enfraquecer o que cria condições para melhoria gradual do estado tempo em Manica, Sofala e Zambézia. No entanto, prevê-se ainda a ocorrência de chuvas fracas locais nestas províncias”, esclarece o INAM em comunicado enviado ao “O País”, ajuntando, neste contexto, que “cessa a emissão de avisos” sobre o fenómeno.

Nas vésperas da tempestade, cerca de 2.500 indivíduos pernoitaram em mais de 814 abrigos identificados em toda a província de Sofala, como igrejas e escolas. São indivíduos que residem nas zonas de risco e com habitações precárias.

Contudo, esta quarta-feira, as mesmas pessoas regressaram voluntariamente às suas zonas de origem logo que “Chalane” abrandou.

Otília Tembe, uma das pessoas que teve que abandonar a sua casa, contou: “nós tentámos resistir nas nossas casas, mas a partir das 23 horas, percebemos que os ventos aumentavam de intensidade. A solução foi mesmo abandonar a zona da Praia Nova. Felizmente, estamos vivos e perdemos uma ou duas chapas. A vida é mais importante”.

Até à publicação desta matéria, em Sofala não havia “danos graves relacionados com a passagem da tempestade tropical Chalane”, de acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

“Dos contactos com os nossos Comités de Gestão de Risco, não temos dados de infra-estruturas danificadas. Foram registados danos em construções precárias, que ficaram sem tectos assim como em algumas construções convencionais fragilizadas pelo ciclone Idai. Mas nada de realce”, assegurou António Beleza, director nacional adjunto do Centro Operativo de Emergência em Sofala.

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