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Cerca de 47 mil pessoas já foram afectadas pela chuva no país

Mais de 47 mil pessoas já foram afectadas e 1500 casas destruídas pela chuva que cai desde Outubro do ano passado, em todo o país. Apesar das enchentes e do pico da época chuvosa previsto para Janeiro, Fevereiro e Março, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) assegura ter a situação controlada.

Em entrevista exclusiva ao “O País”, o INGD apresentou uma radiografia da actual situação das populações em zonas anteriormente identificadas como em risco de sofrer inundações. As informações são bastante preocupantes e as autoridades já se encontram no terreno, para ajudar a minimizar os efeitos das cheias.

Paulo Tomás, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Desastres, afirmou que a época chuvosa 2021-2022 começou em Agosto e, até o dia 6 de Janeiro corrente, já tinha provocado inúmeros problemas.

“Temos cerca de 47 mil pessoas afectadas, o que corresponde a 9.800 famílias; temos também registadas cerca de duas mil casas parcialmente destruídas e 1500 completamente destruídas, também algumas infra-estruturas públicas como escolas, unidades sanitárias, postos de energia, entre outros”, descreveu Paulo Tomás.

O porta-voz do INGD avançou ainda que a chuva já está a inundar os locais previamente indicados. Na Cidade de Maputo, por exemplo, além das inundações urbanas, há rios que já começaram a transbordar e o resultado é o bloqueio de vias de acesso, complicando, assim, a vida das populações.

“Estamos a ter registos [de inundações] nas províncias de Maputo e Gaza. Em Maputo, há registo de alagamentos no distrito de Boane, na zona de Mazambanine, onde iniciamos as operações para permitir a transitabilidade das pessoas. Nós tínhamos uma embarcação alocada para o efeito, mas pelo fluxo de pessoas, ainda hoje estamos a reforçar com mais duas embarcações”.

Nas zonas de maior risco, o INGD diz que já alocou vários bens e produtos alimentares e não alimentares para as populações.

“Continuamos a sensibilizar as comunidades, inclusive já foi feito um cadastro de 450 mil contactos, onde, através do sistema de SMS, transmitimos mensagens, além dos comités de gestão instalados nas comunidades”, disse o porta-voz, tendo acrescentado que “Não foi preciso criar centros de acomodação, mas alguns receberam kits de abrigo para reporem as suas habitações e, neste momento, estão a levar a vida normalmente e temos a situação controlada”.

Uma vez que o INGD possui um plano multissectorial de gestão de riscos e desastres, trabalha lado a lado com a Direcção Nacional de Recursos Hídricos (DNRH), que desdramatiza a situação que se vive um pouco por todos o país.

“A situação que vivemos ainda é estável. Não estamos ainda mal. A situação pode piorar caso a chuva piore”, disse Agostinho Vilanculos, chefe do Departamento das Bacias Hidrográficas do DNRH.

As bacias hidrográficas “estão, neste momento, a receber água e a responder positivamente e, se a chuva continuar, tendo em conta que já estamos no pico da época, que é Janeiro, Fevereiro e Março, nós esperamos que as bacias da zona Sul (Maputo, Incomáti, Umbeluzi e Limpopo) e zona Norte (Licungo) podem registar um incremento muito alto e criar inundações”, explicou Agostinho Vilanculos.

Até ao fim da época chuvosa 2021-2022, as autoridades estimam que mais de um milhão de pessoas poderão ser afectadas em todo o país, por isso apelam para o abandono das zonas de risco.

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