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Cerca de 35% de terras húmidas já desapareceram desde os anos 70

Foto: O País

Celebra-se hoje o dia Mundial das Terras Húmidas, uma data que visa chamar atenção sobre a importância da conservação da biodiversidade e bem-estar do homem e do planeta. Desde que Moçambique aderiu ao protocolo de RAMSAR, em 2003, possui duas áreas de protecção internacional.

São elas o Lago Niassa e o Complexo de Marromeu, que segundo a técnica do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Sidónia Muhoroguese, conta que possuem várias riquezas para a sustentabilidade do meio ambiente.

Da lista das áreas húmidas encontramos “pântano, charco, terra turfosa de água, tanto natural como artificial, permanente ou temporária, com água estática ou corrente, salubre, doce ou salgada, incluindo áreas de águas marinhas cuja profundidade, em maré baixa, não ultrapassa os seis metros”, disse a Técnica.

Neste ano, a efeméride é celebrada sob o lema “acção das Terras Húmidas para Pessoas e Natureza”, pretende-se elevar a consciência das pessoas sobre a importância destes locais na conservação da biodiversidade e no bem-estar do Homem, no Planeta e desenvolver acções para frear a destruição destas áreas.

“O desaparecimento das áreas húmidas tem causas naturais, como as mudanças climáticas. Por exemplo, nas cheias de 2000 vastas áreas de Mangal foram devastadas, o mesmo ocorreu em Cabo Delgado e Sofala, com os ciclones Khenneth e Idai. Mas também há factores humanos, que, muitas vezes, destroem para usar mangais para construção de residências, como lenha e isso prejudica a todos”, disse.

Sidónia Muhoroguese disse que a instituição tem, através de campanhas em escolas e outros locais, sensibilizando as comunidades para a conservação destas áreas, pois o contrário poderá trazer consequências drásticas ao ecossistema.

“As zonas húmidas como rios, por exemplo, as populações buscam água para beber, alimentos da terra e outros, se houver destruição destas áreas, elas podem desaparecer e devido à dependência das pessoas nos elementos que dela advém, também correm o risco de desaparecer”, explicou.

Devido a acções antropogénicas, as terras húmidas estão a desaparecer três vezes mais rápido que as florestas, estimando-se que cerca de 35% já desapareceram desde os anos 70. Dentre várias causas destacam-se, a drenagem e aterragem para actividades agrícolas, construção de infra-estruturas (edifícios e barragens); exploração excessiva dos recursos florestais e faunísticos; ocorrência de espécies invasoras e ocorrência das mudanças climáticas.

Dentre várias funções que elas desempenham, “destaca-se o facto de a vegetação nas terras húmidas filtrar materiais poluidores, fazendo com que a água seja limpa e potável; a humidade constitui o meio de vida para milhões de pessoas; as turfeiras armazenam 30% do carbono terrestre; os lagos e rios proporcionam alimento e medicamentos às pessoas e animais e, os mangais e recifes de coral protegem as comunidades costeiras de marés de tempestades, furacões e tsunamis”, disse.

Em 2019, o país identificou um total de 114 terras húmidas, o que representa uma área de cerca de 900 hectares distribuídos por todas as províncias do país.

Neste momento, há áreas que estão em avaliação para que possam fazer parte da lista das zonas de protecção internacional, desde que respondam aos critérios da Convenção de RAMSAR sobre Terras Húmidas, adoptada na cidade iraniana de RAMSAR em 1971.

“As oito áreas identificadas foram: (1) Terras Húmidas de Nangade, Palma e Mocímboa da Praia, (2) Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas, (3) Lago Urema, (4) Estuário de Búzi e Púnguè, (5) Lago Banamana, (6) Rio Changane, (7) Lagoa Chuáli e (8) Terras Húmidas da Reserva Especial de Maputo (actualmente Parque Nacional de Maputo) ”.

Através de um comunicado de imprensa que tivemos acesso, a selecção destas áreas “obedeceu a critérios da Convenção RAMSAR, dos quais se destacam, áreas ecológicas que alberguem espécies vulneráveis, em perigo ou criticamente ameaçadas assim como comunidades ecológicas ameaçadas; territórios que alberguem populações de espécies animais ou plantas que sejam relevantes para a preservação da diversidade biológica de uma região biogeográfica particular; áreas que alberguem de forma regular 20.000 ou mais aves aquáticas e áreas que alberguem de forma regular um por cento dos indivíduos de uma espécie ou subespécie de espécies que não sejam ornitológicas cuja sobrevivência depende das terras húmidas”.

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