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Cerca de 340 mil alunos sem salas de aula em Sofala aguardam tendas

Estudar e/ou leccionar em alguns distritos da província de Sofala, particularmente nas regiões que foram severamente afectadas pelos ciclones Idai, Chalane e Eloise, entre Março de 2019 a esta parte, continua sendo caótico. Os ciclones em causa destruíram total e/ou parcialmente cerca de três mil salas de aula na província de Sofala, das quais menos de 500 é que foram reabilitadas.

Por isso, cerca de 340 mil alunos estão sem salas de aula há dois anos, ou seja, desde Março de 2019, aquando da passagem do primeiro ciclone, o Idai.
Vamos recorrer ao exemplo da Escola Primária Completa 25 de Junho, localizada no bairro da Munhava, na cidade da Beira.

Estudam naquela escola cerca de cinco mil alunos em condições deploráveis. As salas de aula estão sem tecto desde a passagem do ciclone Idai. Em Junho de 2019 foram alocadas àquela escola algumas tendas para minimizar o problema. Essas foram degradando gradualmente e os últimos dois ciclones que devastaram a cidade da Beira, o Chalane, em Dezembro do ano passado, e Eloise, em Janeiro deste ano, destruíram por completo as referidas salas improvisadas.

Desde o arranque do presente ano lectivo, os alunos da EPC da Munhava têm tido aulas debaixo do sol e quando há chuva, não há aulas.

“Quando chove não há aulas na nossa escola. Todos os dias, a partir das oito horas, o sol incidem sobre as nossas cabeças e, para minimizar o impacto, alguns colegas trazem sombrinhas, mas infelizmente o Sol é cada vez mais forte e o reflexo da sua luz sobre os nossos livros e cadernos condiciona a visão. É normal no fim de cada aula vários alunos queixarem-se de dores de cabeça. Pedimos ajuda a todos para colocarem tectos nas nossas salas de aula”, lamentou e pediu Beichito Maibeque, um dos alunos da EPC da Munhava.

Os pais e encarregados de educação também lamentaram o drama que os seus filhos enfrentam desde o arranque do ano lectivo e exortaram, igualmente, o governo a encontrar soluções viáveis para melhorar o aproveitamento pedagógico dos seus educandos.

“Estamos nesta situação há dois anos. Pensamos que há falta de vontade, por parte do governo, de minimizar este drama. Exortamos ao sector de educação a encontrar, com urgência, uma solução. Os nossos filhos não encontram motivação para irem participar nas aulas e, na sequência disso, o aproveitamento pedagógico é preocupante”, referiu Teresa Manuel, encarregada de educação de um dos alunos da EPC da Munhava.

Outrossim, os professores mostraram-se preocupados e aludiram que o cenário vivido está a contribuir para a formação deficiente de futuros quadros.

“Naturalmente. Lembrem-se que a criança de hoje é o dirigente de amanhã. Então, se Moçambique quer formar dirigentes com qualidade, devemo-nos preocupar hoje. A boa qualidade de amanhã começa hoje”, recordou Fidel Nicolau, professor na EPC da Munhava.

O sector de educação, em Sofala, reconhece o problema que afecta pelo menos cinco distritos, nomeadamente Beira, Dondo, Nhamatanda, Búzi, Gorongosa e Muanza e, garantiu que, a nível ministerial, há vários esforços para minimizar o problema.

“Mas a solução imediata é a alocação de tendas. Mesmo assim, não podemos avançar datas tendo em conta que a aquisição das mesmas está dependente de apoios de parceiros. Contudo, o Ministério está ciente do problema e está a busca de uma solução definitiva, que passa pela reabilitação das salas de aulas, que também não se afigura fácil, devido a dificuldades financeiras”, referiu Tomás Viageiro, Director de Educação em Sofala.

O Director de Educação em Sofala terminou exortando aos professores, alunos e encarregados de educação a serem solidários no processo de ensino e aprendizagem de a modo a contribuírem na melhoria da qualidade de ensino, apesar das dificuldades.

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