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Cerca de 22 mil residentes de Boane em risco devido à subida do caudal do Umbeluzi

Foto: O País

A subida do caudal do rio Umbeluzi deixou submersa a principal ponte, que permite a saída e entrada de pessoas e bens, incluindo viaturas a oito bairros daquela vila. Devido à situação, cerca de 22 mil pessoas correm risco de ficar isoladas na vila municipal de Boane, província de Maputo.

O caudal do rio Umbeluzi subiu e “engoliu” o principal drift que estabelece a ligação por terra entre a vila sede do município e os demais bairros, como é o caso de Mazambanine, Punjane, 7 de Setembro, entre outros. Por não terem outra alternativa, os residentes da vila arriscam-se passando pela ponte submersa.

Nelson Teixeira, por exemplo, não teve outra escolha senão enfrentar a água com a sua viatura. “É um transtorno para nós que trabalhamos na outra margem e temos que atravessar para este lado”, lamentou, tendo acrescentado que “sempre que chega esta altura do ano acontece isto”.

A situação é crítica e de total insegurança, mas, mesmo assim, as crianças brincavam no rio como se de uma piscina se tratasse, num caudal onde a água vinda da barragem dos Pequenos Libombos corria no leito com muita força.

Matilde Maulela, uma anciã residente naquela autarquia já há bastante tempo, exige que seja construída uma nova ponte. “Pequena chuva tudo inunda, nossas machambas estão cheias de água e o milho estragou-se. Queremos que saia daqui até àquela casa. Estamos a sofrer aqui, no círculo Gimo”.

Não é a primeira vez em que este cenário acontece, todos os anos na época chuvosa a transitabilidade fica condicionada. Para reverter o cenário, Manuel Viagem, um dos residentes daquele Município, desafiou o autarca de Boane a terminar o presente mandato enquanto tiver reconstruído a ponte.

No entanto, Jacinto Loureiro, presidente da vila autárquica de Boane, diz que a infra-estrutura é da responsabilidade do Governo central e a nível local não há dinheiro para intervenção estruturante. “Esta é uma obra que efectivamente ultrapassa a dimensão municipal, e uma obra do Governo central, mas creio que estejam a ser feitos esforços dentro da conjuntura das prioridades do país para se construir um novo drift”, referiu para depois apresentar o número de cidadãos em risco: “Temos cerca de 22 mil pessoas que vivem do outro lado e trabalham deste lado e precisam de se movimentar em segurança.”

Enquanto não há uma solução duradoura, a escavadora vai retirando lixo do caudal, para garantir livre passagem da água, que corre na bacia do Umbeluzi, resultante das descargas efectuadas a partir da Barragem dos Pequenos Libombos, de modo a permitir mais encaixe.

Para já, está interdita a circulação de viaturas junto àquela infra-estrutura, sendo que a alternativa é usar via Massaka, num percurso estimado em cerca de oito quilómetros.

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