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Centro Cultural de Noel Langa no roteiro turístico moçambicano

O Ministério da Cultura e Turismo está a identificar espaços artísticos e culturais para os promover através de um roteiro turístico nacional e internacional. Um desses espaços identificados pelo Governo é o centro cultural de Noel Langa, no bairro Munhuana, subúrbio de Maputo

 

O bairro Munhuana e Noel Langa estão muito implicados. O sujeito e o espaço, neste contexto, misturam-se de tal ordem que é “impossível” separar um do outro. Talvez, por isso, quando a Ministra da Cultura e Turismo foi visitar Noel Langa no Hospital Central de Maputo, há quatro meses, onde se encontrava de baixa, resolveu marcar com antecedência uma cavaqueira para o centro cultural do artista plástico. Passaram-se vários meses, afinal, primeiro, o autor da Munhuana tinha de se recuperar, o que até aconteceu rapidamente. Assim, na tarde desta sexta-feira, Eldevina Materula entrou na sua viatura protocolar e desceu até ao antigo Bairro Indígena.

Foi naquele subúrbio próximo ao emblemático mercado do Xipamanine que, sem hesitações, Eldevina Materula afirmou que o Ministério da Cultura e Turismo tem um projecto concebido para promover espaços artísticos e culturais através de um roteiro turístico nacional. Entre tais espaços, garantiu a Ministra, encontra-se o centro cultural de Noel Langa. “Se, em algum momento, havia dúvida, é agora que fica dissipada. Este centro cultural faz e tem de fazer parte do nosso roteiro. Nós, agora, vamos criar placas com inscrições organizadas de modo a atrairmos o turista nacional e estrangeiro. Vamos identificar os mais variados espaços culturais e inclui-los no nosso roteiro”.

Sem se restringir ao plano ministerial, Eldevina Materula lembrou que o Governo, em geral, está comprometido em projectar as artes e os artistas ainda neste quinquénio. “Sabemos o valor da cultura, da arte e daqueles que a fazem diariamente. Temos aqui um exemplo de quem não faz apenas pintura, mas a promove e tira crianças da rua para as entreter com actividades que as conduzem à profissionalização artística. Este é um bom exemplo nacional sobre a importância da arte e da cultura nos jovens. Quem nos dera ter tantos Noel Langa em todo o território nacional. O Noel é uma inspiração do Governo, e nós não estamos aqui para fazer uma promoção, mas para o homenagear e relembrar a importância da nossa cultura a partir daqueles que a fazem”.

Com efeito, e porque o turismo faz-se igualmente com respeito ao antigo, Materula lembrou que o Ministério da Cultura e Turismo está a esmerar-se na preservação da arquitectura da cidade de Maputo, especialmente no que concerne às casas de madeira e zinco, afinal sempre narram outras várias histórias de Moçambique e dos moçambicanos. “Nós pretendemos manter a nossa herança. Quando, recentemente, estivemos na Mafalala, apercebemo-nos que muitas casas típicas estão a desaparecer. Faremos uma intervenção para que não percamos essas casas”.

Ainda sobre casas, com a inserção da sua casa-galeria ou centro cultural (assim está registado) no roteiro turístico nacional e internacional, Noel Langa espera que, assim, se impulsione as artes e os artistas que dali saem e saíram no passado. Na percepção de Noel Langa, a combinação de Cultura e Turismo é feliz e oportuna para fazer com que os turistas absorvam ainda mais o que é promovido no país em termos de arte. “Quando o Governo visita onde dorme a cultura, para mim, é gratificante. O Ministério deve conhecer onde a cultura dorme e vive”.

A visitar o centro cultural de Noel Langa também esteve Marcelo Panguana. Para o escritor, a visita de Eldevina Materula representa o reconhecimento governamental em relação ao artista. “Acho que é uma mudança de estratégia que a actual ministra vem introduzir nesta relação que se pretende ter entre os artistas e o Governo. É isso que é importante, porque os artistas se sentem muito órfãos – falta-lhes um apoio e uma presença constante do Governo em relação ao que executam. Penso que a Ministra está a dar passos para estreitar a relação entre os artistas e o Governo, o que é bom porque um país não se faz apenas de políticos e homens de negócio, faz-se sobretudo de cultura e dos seus fazedores. Isto vai fazer com que o país cresça”.

Noel Langa nasceu no distrito de Manjacaze, Gaza, em 1938. No entanto, foi a partir do bairro Munhuana que se tornou numa das grandes referências das artes moçambicanas

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