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Celso Correia assume compromisso de fechar lixeira de Hulene

Foto: O País

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural justificou o falhanço do projecto do aterro de Matlemele, com o facto de ainda haver conflitos com os nativos. Celso Correia acrescentou que o dinheiro ainda está na Coreia do Sul e só estará com o Governo depois de haver entendimento com as comunidades. 

Reagindo à reportagem do “O País” sobre o falhanço das promessas de construção do aterro de Matlemele e encerramento da lixeira de Hulene, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, desmentiu as suas próprias palavras ditas em 2015 e convidou-nos a revisitar o arquivo.

“Vá ver a promessa como deve ser e depois faça a pergunta com solidez”, sugeriu Celso Correia, com um tom de quem não se recorda de ter feito tais promessas.

E assim nós o fizemos. No nosso arquivo, lá estavam intactas as duas promessas feitas pelo governante.

“Faço votos de que nos encontremos, tenho a certeza de que assim vai ser, no final de 2017, não só na cerimónia de encerramento de lixeiras a céu aberto nas cidades da Matola e Maputo, mas também na inauguração desta infra-estrutura (aterro de Matlemele) tão importante para Moçambique”, afirmou Celso Correia com convicção em 2015.

E mais: “É urgente fechar aquela lixeira (referindo-se a de Hulene) porque já gera problemas de saúde. É uma lixeira a céu aberto. Queremos fechar nos próximos dois anos. Já não tem condições ambientais sustentáveis”, sublinhou o governante, enquanto ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, em 2015.

O governante assume os dois compromissos, mas, passados seis anos, o actual titular da pasta de Agricultura e Desenvolvimento Rural só se recorda de se ter comprometido em encerrar a lixeira de Hulene e nada de abertura do aterro de Matlemele.

“A nossa promessa era de encerrar esta lixeira. Nunca foi de construir uma nova. Nós íamos financiar a lixeira de acordo com o projecto que estava desenhado e continua desenhado para que as coisas aconteçam com tranquilidade e serenidade”, assumiu Correia.

Só que com tranquilidade e serenidade, Correia prometeu muito sobre um projecto com o qual diz não se ter comprometido.

“No primeiro trimestre de 2019, nós estaremos com a primeira fase do aterro a receber resíduos das duas cidades”, prometeu.

Depois de se recordar da promessa não cumprida, feita em 2018 sobre a operacionalização do aterro de Matlemele, no primeiro trimestre do ano seguinte, Celso Correia voltou a atirar a culpa aos nativos.

“Nossa promessa tinha a ver com encontrar uma solução para fechar este aterro (lixeira de Hulene). Esse era o nosso grande desafio e para isso tínhamos que ter uma alternativa. O projecto continua com o mesmo problema e nós não podemos infringir a lei. As pessoas que usam o espaço usaram os seus direitos de reivindicar suas terras e nós aguardamos pela decisão do órgão descentralizado sobre o espaço”, explicou o ministro.

E são esses conflitos que, segundo o governante, estão a congelar os USD 60 milhões prometidos a título de empréstimo pela Coreia do Sul. Ou seja, o dinheiro nem está no Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), como consta da sua página de internet.

“Este é um financiamento que vem de uma linha sul-coreana e está disponível. Como sabe, já não sou o ministro da Terra e Ambiente há sensivelmente dois anos. Os fundos continuam disponíveis para desenvolver o projecto. A parceria sul-coreana irá disponibilizar assim que as condições forem criadas. O valor está disponível, o que não está é o local para construir o aterro, mas poderemos dar mais detalhes sobre o assunto”, revelou.

Isto significa que houve cerimónia do lançamento do projecto de Matlemele em 2015 e promessas sobre a sua inauguração, mas sem a clareza sobre as condições do local para a construção do aterro.

Sobre o encerramento da lixeira de Hulene, que assume ser um dos seus compromissos, Correia recomenda uma visita ao aterro.

“Vá ver o trabalho que foi feito na lixeira e o reassentamento das famílias em Matlemele e depois diga se a promessa está a ser cumprida ou não”, recomendou Correia.

E lá fomos ver! O trabalho que foi feito na lixeira de Hulene é a diminuição de montões de lixo, compactação de resíduos sólidos, abertura de caminhos, valas de drenagem e instalação de colector de lixiviados e nada do encerramento de uma lixeira que continua, diariamente, a receber lixo.

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