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Casa do Gaiato enfrenta maior crise de sempre

A cerca de 60 km da cidade de Maputo, fica a Casa do Gaiato, uma das maiores instituições de acolhimento de crianças desamparadas. Na verdade, eles não gostam de ser tratados como tal, preferem ser carinhosamente tratados como “gaiatos”. “Gaiato é um rapaz alegre, alguém que gosta de fazer brincadeiras”, explica a directora da Casa, em jeito de nota introdutória.

E de facto é isso que conseguimos notar no semblante de muitos deles. Actualmente são 225 crianças e jovens assistidos, com idades entre 3 e 22 anos. Lá estudam da pré-escola à décima classe; são formados em várias áreas como fabrico de blocos, mecânica-auto, carpintaria, agro-pecuária, entre outras áreas.

Moisés Joaquim, de 16 anos, perdeu os pais com quatro anos de idade e com três anos de vida foi parar na Casa do Gaiato. Actualmente assume a liderança de muitas crianças e ajuda a manter a disciplina nas quatro casas que acolhem os meninos, exceptuando a chamada casa principal que é reservada aos mais crescidos. “Praticamente esta é minha família”.

Entre histórias de abandono e sonhos, vai se fazendo a Casa do Gaiato. Há 26 anos que existe e acolhe apenas rapazes.

Diariamente são servidas quatro refeições. Zacarias Chaúque, de 17 anos, é o chefe de cozinha. “Sempre gostei de cozinhar” e foi direccionado a essa área, tal como acontece com tantos outros meninos que escolhem as áreas de paixão para aprenderem uma profissão, tal como Félix de 13 anos, que está a aprender a carpintaria. Mas por detrás dessa obra de caridade, esconde-se um drama: a Casa do Gaiato regista este ano a maior procura desde a sua crianção há 26 anos. São agora 225 crianças e jovens.

“Nós tínhamos aqui em Moçambique mais ou menos 30 empresas que de uma forma muito regular apoiavam a Casa do Gaiato. Nos últimos meses, apenas dez continuam com o seu apoio mensalmente”, assinala com o semblante desolado, Quitéria Torres, directora daquela instituição de caridade. E de todos os lados, as contas apertam. Conta que com a seca que assolou a zona Sul nos últimos anos, os furos que tinham secaram e agora pagam mais de 50 mil meticais só com o consumo de água. E a factura de energia do mês passado, ainda não paga, perfaz mais de 123 mil meticais.

 

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