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Carlos Paradona é o novo Secretário-Geral da AEMO

27 autores elegeram Carlos Paradona Secretário-Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). Dos 29 votos possíveis, apenas um foi dirigido ao candidato Luís Cezerilo, ausente no acto da eleição por se encontrar a cuidar dos pais que se encontram doentes em Portugal. O outro voto ficou em branco.

Assim, a Assembleia Geral da AEMO, que se realizou entre 10 e 14 horas deste sábado, elegeu o manifesto do candidato da Lista B, constituído com os seguintes integrantes: Filimone Meigos (Presidente da Assembleia Geral), Jorge de Oliveira (Vice-Presidente), Celso Cossa (Relator), Carlos Paradona (Secretário-Geral), Mbate Pedro (Secretário-Geral-Adjunto), Aurélio Furdela (Vogal para Edições e Programas), Delmar Gonçalves (Vogal para Relações Exteriores), Paulina Chiziane (Presidente do Conselho Fiscal), Aldino Muianga (Vice-Presidente) e Nelson Lineu (relator).

Desta maneira, Carlos Paradona e a sua equipa sucedem o elenco que, nos últimos dois anos, foi dirigido por Ungulani Ba Ka Khosa, Secretário-Geral cessante.

De acordo com Pedro Chissano, Presidente da Comissão Eleitoral, integrada, igualmente, por Domingos Pedro (Domi Chirongo) e Iracema de Sousa, o processo de eleição foi livre e transparente. No entanto, os integrantes da Lista A assim não entenderam. Longe disso. Antes da votação iniciar, entre muitas querelas, acusações e difamação, parte dos apoiantes de Luís Cezerilo abandou a sessão por entender que o seu candidato estava a ser boicotado. O que se passou foi o seguinte. A lista de Luís Cezerilo propôs Tânia Tomé para ocupar o cargo de Vice-Presidente da Assembleia Geral, caso aquele escritor fosse eleito Secretário-Geral. Entretanto, Tânia Tomé não é membro da AEMO. Por essa razão, os apoiantes de Carlos Paradona protestaram contra a submissão da Lista A à eleição.

Depois de muitos protestos, Aurélio Furdela, da Lista B, apoiante de Paradona, sugeriu que, ao invés de se reprovar a Lista A, por causa de um membro, a Assembleia aceitasse a candidatura de Cezerilo, mas sem Tânia Tomé como integrante. Assim avançou-se para o passo seguinte. E quando parecia que o problema estava resolvido, de modo que o processo de votação acontecesse num ambiente tranquilo, mais uma vez os apoiantes da Lista A foram surpreendidos por uma alegada irregularidade: Luís Cezerilo não tem quotas pagas. Por essa razão não poderia ser membro elegível. As acusações e o tom cordial tornaram à Assembleia. Apoiantes da Lista A, como Japone Arijuane, Izidro Dimande e Nhachote, exigiram que, se esse for um critério credível, que os apoiantes de Paradona provassem que pagaram as quotas em causa. Arijuane foi mais longe, perguntando a Jorge de Oliveira em voz alta: “desde quando é que se pagam quotas na AEMO?”. O autor, como que com Pneus em chamas na Assembleia, dessa vez não respondeu e, mais uma vez, a Lista A seguiu em frente. Faltava, a essa altura, uma pergunta: quem pode votar? Da Comissão Eleitoral surgiu a resposta: os membros efectivos da Associação que têm a situação em ordem, o que implica ter as quotas pagas. Foi o xeque-mate para os “cezerilianos”. Não tendo essa situação regularizada, pelo menos três dos apoiantes de Cezerilo (Japone Arijuane, Alex Dau e Izidro Dimande) viraram as costas à Assembleia Geral e foram embora. Os trabalhos continuaram e Carlos Paradona, num clima tenso, foi eleito Secretário-Geral da AEMO, cargo que vai exercer durante três anos, pois a Assembleia Geral decidiu alterar uma alínea dos estatutos. Doravante, o mandato do Secretário-Geral passa a ser trienal e não bienal.

O encontro dos escritores moçambicanos, quase sempre muito aceso, começou com a apresentação do relatório de actividades do mandato de Ungulani Ba Ka Khosa. Todos os intervenientes, inclusive de ambas as listas, elogiaram o trabalho de Khosa e, alguns, sugeriram melhorias. Domi Chirongo felicitou o elenco cessante pelas conquistas e aconselhou que, das próximas vezes, haja um investimento no brilho do relatório, com fotografias, slides, e etc; Armando Artur entendeu que o relatório é rico e que o secretariado conseguiu fazer uma coisa bonita; Emmy Xyx também felicitou ao elenco de Ungulani, pedindo que o relatório contemple uma actividade por si orientada da Escola Americana, integrada na Semana da Mulher; Izidro Dimande afirmou que gostou do relatório, achando que devia constar a questão financeira, de forma resumida, de modo que se soubesse se a situação da AEMO é boa ou má; Almiro Lobo disse que o relatório da AEMO é omisso a alguns factos. Por exemplo, não lembra que houve escritores moçambicanos distinguidos e premiados a nível nacional e internacional. Na mesma onda de ideias, Juvenal Bucuane sugeriu que se inserisse no relatório final as homenagens feitas pelo Conselho Municipal de Maputo aos escritores moçambicanos na Feira do Livro, sendo ele um deles, além de Marcelo Panguana e Aldino Muianga. Ungulani Ba Ka Khosa aceitou as sugestões e ainda referiu que a AEMO está a estabelecer boas parcerias com o Brasil, não se podendo dizer o mesmo em relação a Portugal, segundo o escritor.

A Assembleia Geral não terminou sem antes Jorge de Oliveira deixar ficar um recado para Silva Dunduro. Para o escritor, agora que Armando Artur já não é Ministro da Cultura a AEMO ficou marginalizada.

 

 

 

 

 

 

 

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