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Carlos Eduardo Abijaodi aconselha Moçambique a apostar na integração internacional

Carlos Eduardo Abijaodi participou, nesta sétima edição da MOZTECH, através da Internet. A partir do Brasil, onde se encontra, o orador partilhou experiências, tendências e conhecimentos relevantes para os países em desenvolvimento, como é o caso de Moçambique. Numa sessão que durou cerca de 45 minutos, o Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil frisou várias vezes que o nosso país possui potencialidades acrescidas na área da industrialização. Para tirar proveito disso, no entanto, os moçambicanos, numa combinação de esforços entre o Governo e o sector privado, devem preocupar-se em investir no que considera integração internacional. Segundo afirmou, é na integração internacional, no contacto entre países que Moçambique pode garantir a obtenção de tecnologias novas bem como o conhecimento diferenciado, fundamental para o desenvolvimento sustentável no capítulo da industrialização.

“O que a gente pode sugerir para Moçambique, por exemplo, é uma aproximação maior, não só connosco [Brasil], mas também com os outros países”, sublinhou Carlos Eduardo Abijaodi, para depois acrescentar: “eu tenho experiência de vivência aí com os países africanos. Já estive muito próximo de todos vocês e vejo que existe um potencial muito grande a ser explorado nessa relação Brasil e Moçambique, porque nós temos dificuldades muito parecidas”.

No entendimento do Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil, a inovação, na área da industrialização, deve ter base da manufactura, o que deve ser acompanhado pela redução da burocracia. Além disso, Carlos Eduardo Abijaodi entende que países como Moçambique devem investir nas Pequenas e Médias Empresas (PME). “Precisamos de inserir nas nossas Pequenas e Médias Empresas, porque são elas que precisam muito do apoio das instituições, para que possam enxergar mais longe, ver um horizonte mais produtivo e exemplos de outros países”.

Numa sessão subordinada ao tema “Conhecimento e investigação ao serviço da industrialização”, moderada pelo jornalista Francisco Mandlate, o Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil realçou ainda a importância da capacidade de adaptação dos profissionais contemporâneos, que, consoante os desafios actuais, devem se reinventar para que possam garantir o seu posto de trabalho. Tal cenário, realçou, não depende apenas do indivíduo. O envolvimento do Estado é igualmente indispensável. “Devemos ter em mente que os empregos vão sempre existir, de alguma forma. Entretanto, só vão alcançar os melhores empregos aqueles que souberem se adaptar às exigências que esse novo emprego traz. Nós temos de ter consciência disso e fazer com que essa mão-de-obra esteja preparada para ser absorvida pelo mercado”.

O apoio governamental, reforçou Carlos Eduardo Abijaodi, é importante para que a indústria consiga gerar emprego, accionar a economia e fazer com que se aproveite as capacidades nacionais. Aliado a isso, é fundamental ser competitivo, oferecendo produtos bons e mais baratos. Outra coisa que sugeriu: “é muito importante que as empresas locais tenham a noção de que os seus problemas são muito parecidos aos das empresas de outros países, apesar das distâncias. Nós trabalhamos na inserção do Brasil através de acordos comerciais, de cooperação técnica e aproximações bilaterais entre países para assinarem parcerias que possam virar acordo em áreas estratégicas que possam trazer benefícios no agro-negócio e na agro-indústria”.

Ainda na sua intervenção no painel desta quinta-feira, Carlos Eduardo Abijaodi explicou que não existem segredos em termos de caminhos para o sucesso da industrialização. Aliás, afirmou, o sucesso da industrialização depende de estudar os problemas que afligem as realidades sociais concretas, quer na área administrativa, quer na área tributária. Esses problemas prementes de Moçambique, reforçou, devem ser atacados com o Governo. “Muitas das acções terminam quando o produto sai da fábrica. Aí entram as acções do Governo e questões de logística, portuária e dos transportes. Tem que ser um trabalho a quatro mãos, dentro do que o mundo moderno está demandando. Nesse sentido, recomenda a aplicação de técnicas de digitalização e o investimento em processos tecnológicos modernos, sempre com interacções internacionais dinâmicas.

O Director da Confederação Nacional da Indústria do Brasil aconselha os moçambicanos a enfrentarem a quarta revolução industrial actual sem medo. “Às vezes, a gente é demasiado pessimista mais do que devia ser. Imaginando que as coisas não vão dar certo, vendo problemas. Mas se a gente se afastar dessas exigências que o mundo está impondo, nós estaremos fora do mercado, com indústrias obsoletas (…). Temos de apreender as tecnologias novas, com mais conhecimento técnico e conhecer os processos”. Só assim, para Carlos Eduardo Abijaodi, é possível ter uma indústria, capaz de pagar melhores salários e honrar os compromissos fiscais.

A sétima edição da maior feira de tecnologia de Moçambique termina esta sexta-feira.

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