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Câmara de Comércio opera na insustentabilidade

A Câmara de Comércio de Moçambique atravessa momentos de insustentabilidade por falta de dinheiro. Cerca de 80% dos membros não pagam quotas, revela o vice-presidente da organização. Para reverter a situação, a Câmara criou uma unidade de negócios. A fonte diz mesmo que a Câmara não está em condições de funcionar.

“Para uma câmara ser sustentável precisa garantir o seu funcionamento. E neste momento, a câmara não está em condições de funcionar. Por exemplo, vive de quotas que há quatro meses eram 250 meticais. A câmara que tem 500 membros e 100 é que pagam as quotas”, revela Arlindo Duarte, vice-presidente da Câmara de Comércio de Moçambique.

O ideal seria que as empresas associadas à Câmara, médias e grandes, passassem a pagar 2500 e 5 mil meticais de quotas, respectivamente, à semelhança de outros países da região, considera o vice-presidente da Câmara. O dinheiro que a organização possui, actualmente, é suficiente para pagar salários e não cobre as viagens e os investimentos.

“O budget (palavra inglesa que pode significar orçamento) da Câmara de Comércio de Moçambique ronda nos 35 a 50 milhões de meticais só para operações, mas o ideal seria 100 milhões. Naturalmente que a câmara precisa de fazer investimentos, entrar em participações, o que não temos neste momento”, admitiu Arlindo Duarte.

Por isso, a Câmara de Comércio de Moçambique, uma organização empresarial moçambicana sem fins lucrativos criou uma unidade de negócios, denominada Câmara de Comércio e Investimentos, com vista a exercer actividade económica e produzir dinheiro para o funcionamento pleno da câmara.

“Temos esse desafio de trazer projectos de investimentos para o país, naturalmente, envolvendo os nossos membros em princípio e numa primeira fase, de modo a garantir a sustentabilidade da câmara através desses investimentos”, explica Arlindo Duarte.

A Câmara organizou ontem um encontro para apresentar oportunidades de negócios aos seus associados. Uma delas é a Feira Internacional de Maputo (FACIM) deste mês e uma Cimeira e Feira que terá lugar no Egipto, onde a Câmara vai participar e estarão cerca de 100 bancos internacionais que querem financiar empresas a custos bonificados.

Na FACIM deste ano, a câmara planeia ocupar um stand onde estarão a expor membros da câmara, como forma de minimizar os custos dos seus associados. Para além de expor, a câmara prevê participar em seminários e conferências onde pretende firmar parcerias.

A nova direcção da organização empresarial está a trabalhar no sentido de tornar a Câmara de Comércio de Moçambique sustentável em pelo menos dois anos e meio.

Na ocasião, o Banco Nacional de Investimentos (BNI) apresentou novos projectos de financiamento de Pequenas e Médias Empresas. Uma das iniciativas do banco é promovida com a parceria da Agência do Vale de Zambeze e pode vir a financiar cerca de seis milhões de euros a Pequenas e Médias Empresas. O projecto ainda está a ser concebido.

“As PME deverão se deslocar ao banco (BNI) para saber quais são os requisitos, mas relativamente ao fundo de que eu falei que estamos para lançar juntamente com a agência do Zambeze elas (as empresas) terão que reunir alguns requisitos, dentre os quais, eles devem estar a operar ao longo do Vale do Zambeze”, disse Edson Manguinhane do BNI.

100 Membros é o número de associados que pagam suas quotas de um total de 500 membros.

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