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By Ídio Chichava, ‘Último berro’ e ‘Começa a ficar tarde’ exibidos no Brasil e nas Ilhas Reunião

Último berro (30 minutos) e Começa a ficar tarde (13 minutos) são os títulos dos dois filmes de Ídio Chichava e Ivan Barros que serão exibidos no Festival de Dança Cena Contemporânea, em Brasília, capital brasileira. Já nas Ilhas Reunião, Chichava leva um solo e lá vai organizar workshops.

 

O coreógrafo e bailarino foi convidado a participar no Festival de Dança Cena Contemporânea. À capital brasileira, Brasília, no dia 9 de Dezembro, Ídio Chichava leva consigo o filme/ vídeo performance Último berro, realizado por Ivan Barros.

A ideia do filme surgiu no momento em que o artista estava em confinamento, em Maputo, numa fase que aproveitou para reflectir sobre a sua própria arte, questionando-se sobre o que é a dança para si e do que a sua dança pode ser em termos de intervenção no esquema social. Na verdade, no princípio, o que Chichava quis fazer foi uma sessão de fotografias, alicerçado ao tema Cabo Delgado, por causa do terrorismo que lá se enfrenta. Claro, não pelo lado político da coisa, e sim interessado-se na questão humana, colocando-se na pele dos que sofrem todos os dias. Raciocinando assim, surgiu então Último berro: corpo em Estado de Emergência, um título que traduz dois cenários: o Estado de Emergência decretado pelo Presidente da República, que aconselhava as pessoas a não irem à rua sem necessidade, e o Estado de Emergência em que os moçambicanos de Cabo Delgado são obrigados a abandonar as suas residências.

Convicto no que queria fazer, Ídio Chichava juntou-se ao realizador Ivan Barros para consolidarem o projecto fotográfico. Ao invés disso, ambos chegaram à conclusão de que um filme seria melhor. E assim foi. As gravações aconteceram e Último berro estreou recentemente no Festival Gala-Gala, na cidade de Maputo.

No Brasil, o filme de Ídio Chichava será apresentado durante a Semana da Consciência Negra. E, no mesmo programa, o artista vai apresentar outro filme seu: Começa a ficar tarde, gravado na Lixeira de Malhampsene, em Maputo, com pretensões de chamar atenção aos impactos do aquecimento global. “Para mim, esta é uma forma de mostrar que Moçambique não está quieto em relação à dinâmica criativa contemporânea no mundo. Passar estes filmes é uma forma de afirmar Moçambique como um país preocupado em contribuir na interacção e partilha cultural”.

 

Ilhas Reunião

Entre 17 de Novembro e 10 de Dezembro, Ídio Chichava vai participar no Ocean Indien Danse, nas Ilhas Reunião, cujo convite surgiu através do Festival KINANI. Um membro da organização esteve em Maputo e viu a sua peça Sentido único. Daí surgiu o convite, e, naquele país, o coreógrafo e bailarino vai apresentar um solo que faz alusão ao terror em Cabo Delgado. “A peça é uma mensagem aos corpos sofridos. Lá também vou apresentar Último berro, para mandar uma mensagem de socorro ao mundo. É a minha forma de contribuir, de fazer com que o mundo saiba o que está a acontecer em Cabo Delgado”.

Por fim, durante mais ou menos três semanas, “Ídio Chichava vai orientar workshops. “Estarei com escolas, desde primárias, secundárias e profissionais, durante o trabalho de consciencialização”.

 

 

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