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Biodiversidade da Ilha do Ibo ameaçada de extinção

A constatação é da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Lúrio. A instituição aponta que entre as espécies ameaçadas de extinção na Ilha do Ibo, em Cabo Delgado, constam plantas e peixes, e apela para que haja medidas no sentido de resolver o problema.

Da lista das espécies ameaçadas constam Tarenna Pembensis, uma planta nativa de Cabo Delgado, mas já em risco de extinção; Coffea Racemosa, o conhecido café do Ibo, que igualmente pode desaparecer.

Em relação aos peixes em risco de extinção, pesquisadores aperceberam-se da existência de três espécies que também estão ameaçadas, nomeadamente: a epinepheluf fuscoguttatus, a garoupa manchada, a epinepheluf malabaricus, a garoupa malabarica e chaetodon trifascialis.

Entre as causas da ameaça à biodiversidade, de acordo com a pesquisa da Universidade Lúrio, está a sobrepesca, a introdução de espécies exóticas e o uso da terra para agricultura.

Entretanto, além do risco de extinção, os pesquisadores descobriram igualmente que não existe uma informação actualizada sobre o estado de conservação de mais de 50 espécies de plantas, peixes, anfíbios, répteis, insectos, macroinvertebrados, que estão na lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza.

Além da biodiversidade, o estudo incluiu ainda uma pesquisa sobre a cultura da Ilha do Ibo, um local histórico e um dos patrimónios da humanidade escolhidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Segundo explicou Bibiana Nassongole, uma das 10 autoras do livro sobre a biodiversidade na Ilha do Ibo, “a ideia inicial” consistia em “cada autor” produzir um artigo sobre a matéria.

Porém, “os artigos seriam lidos por uma das pessoas especialistas em cada uma das áreas e haviam de se perder a parte cultural. Como nós queríamos mostrar a cultura”, porquanto se mistura com a biodiversidade, “decidimos unir a cultura e a natureza do Ibo para tornar o livro mais interessante”.

A pesquisa foi realizada em 2017 e publicada em 2020. Entretanto, só este ano o respectivo livro foi lançado oficialmente na cidade de Pemba, numa cerimónia dirigida pela reitora da Universidade Lúrio.

“Para nós, como academia”, a obra “representa a grande contribuição e a participação da Faculdade de Ciências Naturais no reforço do conhecimento comum, sobre a biodiversidade da Ilha do Ibo, compreensão de fenómenos e funcionamento dos ecossistemas”, bem como a maneira como “eles se entrelaçam para criar esta incrível riqueza natural e cultural, únicos da Ilha do Ibo,” explicou Leda Hugo, reitora da instituição.

O governo da província de Cabo Delgado espera que a obra seja um incentivo para a preservação da biodiversidade e da cultura da Ilha do Ibo.

“Esperamos que contribua para manter preservado este mosaico natural, socio-cultural e que mais estudos possam ser traduzidos em obras desta natureza”, disse Rogério Jaime, em representação do secretário de Estado na província.

A pesquisa e a produção do livro “Ilha do Ibo entre a Natureza e Cultura” contou com o apoio financeiro da Embaixada da França em Moçambique e do Conservatório do Litoral Francês, Universidade de Mayotte. Foram envolvidos 10 autores, entre académicos moçambicanos e conservacionistas franceses.

Uma parte das receitas provenientes da venda da obra será canalizada para a implementação de projectos comunitários na Ilha do Ibo.

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