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Beira exulta com qualificação às eliminatórias da BAL

Foto: LMB

Seis vitórias em igual número de jogos colocam o Ferroviário da Beira nas eliminatórias da zona VI de acesso à Liga Africana de Basquetebol (BAL), prova a realizar-se em Outubro próximo, em Joanesburgo, na África do Sul. O Ferroviário da Beira derrotou, sábado, o seu homónimo de Maputo (99-88) no jogo 2 dos “play-offs” da final do Torneio de Apuramento à BAL, fazendo o 2-0 na série.

Chegar, ver e vencer! É um facto: o Ferroviário da Beira foi a equipa mais equilibrada, com mais soluções em todas as posições e melhor entrosada no Torneio de Apuramento às eliminatórias de acesso à Liga Africana de Basquetebol (BAL). Não é por acaso que, no cômputo dos seis jogos realizados na prova cujo pano caiu sábado em Maputo, os “locomotivas” do Chiveve foram superiores aos seus adversários, mantendo, em grande parte, o mesmo nível com a rotação constante dos seus jogadores.

Na posição 1, William Pery, base americano, mostrou qualidade nas transições. Um jogador com capacidade para acelerar, quando necessário, e pausar quando tal se impõe. Boa capacidade de fazer o passe no “timing” certo, excelente percentagem nos tiros exteriores e aproveitamento na linha de lances livres.

No jogo interior, Elton Ubisse foi dominador nas tabelas, desgastou os seus adversários e foi preponderante a jogar de cara e costas para o cesto. Enfim, no global, valeu (o Ferroviário da Beira) pelo conjunto! Sexta-feira, no jogo 1 dos “play-offs” da final, o conjunto de Luiz Lopes controlou todos os quartos perante um Ferroviário de Maputo apático, sem agressividade defensiva e clarividência ofensiva. O resultado de 99-66  espelha claramente a sua clarividência na quadra!

Sábado, no jogo do tudo ou nada para o Ferroviário de Maputo, tivemos um jogo com muita intensidade. Era, aliás, um duelo no qual Milagre “Mila” Macome precisava de vencer para forçar a decisão à negra no acesso às eliminatórias da zona VI da Basketball Africa League (BAL).

Sem Damarcus Holland (jogador da posição 2), desafiado a fazer a armação do jogo em algumas ocasiões, Milagre “Mila” Macome apostou em Adjei Baru, poste costa-marfinense para dar luta nas tabelas.

Mais agressivo defensivamente, condicionando os ataques do adversário, e explorando transições rápidas e os corredores laterais para o tiro exterior, o Ferroviário de Maputo fez um parcial de 5-0. Os “locomotivas” do Chiveve sentiam dificuldades para fazer os seus ataques, havia que ajustar defensivamente e melhorar na leitura a defesa homem a homem com pressão e trocas. Foi nesse processo em que, com Wiliam Perry já a desequilibrar e Elton Ubisse a fazer a diferença no jogo interior, que o primeiro quarto terminou com o parcial de 22-18, vantagem para o Ferroviário de Maputo.

Luiz Lopes fez a rotação da equipa, lançando para o jogo Ayad Munguambe, Ermelindo Novela e Orlando Novela. Com dois postes fixos, neste caso Custódio Muchate e  Adjei Baru, Alvaro Masa apareceu mais liberto a jogar distante do cesto, atirando assertivamente em algumas situações que permitiram ao Ferroviário de Maputo liderar a marcha do marcador (35-31) com seis minutos por se jogar no segundo quarto.

Baggio Chimonzo fez, igualmente, a diferença nos tiros exteriores. Mas, o Ferroviário da Beira fez os ajustes defensivos, intensificou a sua pressão e forçou o seu adversário a cometer erros. Com Michael Murray e William Pery a fazerem as penetrações pelo corredor central e a lançarem na zona dos 6, 75 metros, e Helton Ubisse a explorar o “pick and roll” e tiros curtos, o Ferroviário da Beira passou para frente do marcador: 46-42 foi o resultado no final do segundo quarto. A esta altura,Adjei Baru estava condicionado com três faltas, havia que gerir o costa-marfinense para não ser desqualificado. No terceiro quarto, o Ferroviário da Beira fez uma alternância defensiva, passando a defender a zona 2-3. Fez melhor interpretação o Ferroviário de Maputo com a bola a girar e a libertar os extremos para os tiros.

Na quadra, muito contacto físico! O jogo perdeu intensidade. Milagre “Macome” fez a rotação da equipa, a diferença situava-se em cinco pontos! Custódio Muchate e Adjei Baru, dois postes fixos, estavam condicionados com faltas! O mesmo pode-se dizer de Elves “Stam” Honwana, no Ferroviário da Beira!

Com perdas de bola, lançamentos desenquadrados e ataques condicionados, o Ferroviário de Maputo viu o seu rival sair com uma vantagem de cinco pontos no final do terceiro quarto: 73-68.

O quarto era ainda mais decisivo para os campeões nacionais. William Pery, Michael Muray e Elton Ubisse eram as principais unidades de uma equipa que se valia pelo conjunto! O Ferroviário da Beira esteve mais agressivo a defender! Ofensivamente, Elton Ubisse dominou na tabela e criou desequilíbrios no jogo interior. Começava a fugir no resultado! Milagre “Mila” Macome tinha que responder com o seu jogo exterior, onde Manuel “Mango” Uamusse e Francisco “Chiquinho” Macarringue nem sempre se revelavam assertivos! Com seis minutos por se jogar no quarto, o Ferroviário da Beira vencia por nove pontos: 85-76. Vencer ou vencer! Não havia outro caminho! O sonho da BAL crescia nas hostes do Chiveve.

O Ferroviário de Maputo continuava a apostar nos tiros exteriores, mas neste capitulo não esteve muito bem. Condicionado nos seus ataques, o conjunto de Milagre “Mila” Macome não encontrou soluções para ir buscar o resultado. Aliás, já perdia por dez pontos! O Ferroviário da Beira, esse, geriu apenas o resultado e venceu por 99-88.

Michael Murray liderou o Ferroviário da Beira com um duplo-duplo: 21 pontos e 15 ressaltos (dois ofensivos e 13 defensivos) em 44:48 minutos na quadra, tendo sido secundado por William Pery com 22 pontos, quatro ressaltos e três assistências e Helton Ubisse com 21 e quatro ressaltos.

No Ferroviário de Maputo, Álvaro Masa arrancou um duplo-duplo (31 pontos e 11 ressaltos) em 46:46 minutos na quadra, sendo secundado por Baggio Chimonzo com 19 pontos, oito ressaltos e dois roubos de bola.

Em termos globais, o Ferroviário de Maputo concretizou 30 em 73 lançamentos de campo (média de 41, 1%) contra 29 em 66 do seu homónimo de Maputo.

Ao nível do tiro exterior, houve equilíbrio com os “locomotivas” do Chiveve a apresentarem-se com 36, 4 % de aproveitamento (8 em 22) e o Ferroviário de Maputo a situar-se em 39, 3 % (11 em 28).  O mesmo pode-se dizer da percentagem na linha de lances livres: 76, 7 % (33 em 43) para o Ferroviário da Beira e 81, 0 % (17 em 21) para os campeões nacionais.

Na tabela, dominou o Ferroviário da Beira com 49 ressaltos, dos quais 40 ofensivos e 9 defensivos, enquanto o homónimo de Maputo capturou 39.

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