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Barragem com pouca água força FIPAG a avançar com restrições em Nampula

A barragem onde é captada a água para a cidade de Nampula está a 42% da sua capacidade de armazenamento de água, ainda com dois meses de estiagem pela frente, o que força o FIPAG a avançar com o plano de restrições. Cadeias, escolas e hospitais vão merecer tratamento especial nesta fase.

A barragem sobre o rio Monapo, a 10 km da cidade de Nampula, é a principal fonte de captação de água para o abastecimento da cidade de Nampula. O nível de encaixe neste momento é de apenas 42% (de uma capacidade de 3.8 milhões de metros cúbicos), uma realidade que preocupa os gestores da albufeira porque ainda restam dois meses de estiagem, atendendo que na zona norte do país a chuva significante começa a cair a partir de Dezembro.

“Com essa pouca precipitação que tivemos no ano hidrológico passado, a nossa barragem parou de descarregar muito cedo, no mês de Maio, enquanto nos anos passados parava no mês de Agosto. Isso faz com que passemos a fazer pequenas restrições de captação de água por parte do FIPAG (Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água) e isso faz com que haja esta problemática de água que temos assistido nos últimos tempos na cidade de Nampula”, disse Carlitos Omar, director ARA centro-norte

Face a esta realidade, o FIPAG vai avançar com o plano de restrições para garantir que a pouca água existente na barragem chegue aos consumidores em dias intercalados.

“Vamos ter que reduzir o volume produzido. A nossa produção máxima é de 40 mil metros cúbicos por dia. Agora, com este volume armazenado, obviamente que teremos que modificar a exploração de 40 mil para a metade, estaremos aos 20 a 22 mil metros cúbicos por dia. Com este volume é possível assegurarmos o abastecimento à cidade de Nampula. obviamente que o abastecimento não vai ser de forma normal como era habitual de Janeiro até à data. A distribuição terá de ser feita por via de restrições, ou seja, por via de bairros. Há-de haver um dia em que o abastecimento será feito nalguns bairros e noutro dia noutros bairros”, anunciou Inácio Inácio, director do FIPAG, área operacional da cidade de Nampula.

A barragem sobre o rio Monapo tem 60 anos de existência e já não consegue abastecer a cidade de Nampula que hoje conta com mais de 700 mil habitantes. A sua capacidade é de 3.8 milhões de metros cúbicos de água, quando a necessidade de consumo agora na cidade de Nampula é de 14 milhões de metros cúbicos de água potável.

O FIPAG está neste momento a abertura furos de água para reforçar os volumes de produção diária. “Contamos com um furo de água na zona de Namiteca de onde temos neste preciso momento 10 furos e estamos a mobilizar o equipamento de momo a operacionalizarmos esse campo de furos. Com este campo de furos esperamos uma produção de 5 mil metros cúbicos de água por dia. É um volume bom e é possível abastecer as 70 mil habitantes”, avançou Inácio.

Enquanto procura-se alternativas pontuais, a solução a médio e longo prazo para a cidade de Nampula passa pela viabilização do uso da barragem de Mujica, localizada a mais de 100 km, com capacidade de encaixe 14 vezes acima da primeira barragem, tudo porque a tendência nos últimos tempos é de baixa precipitação no país, sobretudo em Nampula.

Nas zonas críticas da cidade de Nampula, o abastecimento de água está a ser garantido por via de fontanários móveis que são abastecidos diariamente.

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