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Bala perdida da PRM alvejou abdómen da mulher e não perna como se avançara inicialmente

Diferente da informação dada na quinta-feira, no âmbito das operações de busca no bairro de Mafalala, cidade de Maputo, a bala perdida disparada por um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) não atingiu a perna, como avançou o porta-voz, mas sim o abdómen, um órgão vital cujas consequências podem causar a morte da mulher em causa.

A Polícia, através do seu porta-voz, Leonel Muchina, disse, na quinta-feira, aquando da ocorrência dos factos que o baleamento foi acidental e que foi em local não vital. “E este disparo alvejou uma cidadã numa zona não letal, referimo-nos à perna.”

Porém, as declarações do porta-voz da PRM, na cidade de Maputo, são contrariadas pela informação obtida pelo jornal “O País” junto de fontes hospitalares que contam que a bala atingiu o abdómen, um órgão vital no qual se encontram o estômago, intestino delgado, intestino grosso com ceco e apêndice. Há, também no abdómen, órgãos acessórios do sistema digestivo, como o fígado, vesícula biliar e pâncreas, bem como o sistema urinário que integra os rins e ureteres.

A vítima, Rosa Carlos Tembe, deu entrada no serviço de urgência do Hospital Geral José Macamo, onde, devido à gravidade e complexidade dos ferimentos, foi transferida para o Hospital Central de Maputo (HCM) onde se encontra internada.

Simão Manhique, médico afecto ao Serviço de Urgências do HCM, confirma a entrada da paciente àquela unidade sanitária e informa sobre o seu estado clínico. “A paciente está internada na enfermaria de cirurgia e está a ser observada por especialistas”.

Questionado se Rosa Carlos Tembe não corria risco, o médico do Serviço de Urgência do HCM respondeu que “a paciente se encontra, neste momento, estável”.

Por sua vez, a presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique, Ferosa Zacarias, exige que a PRM seja responsabilizada pelos danos causados tanto à vítima, como aos que tiveram as suas casas vandalizadas.

“Em primeira instância, espera-se que a Polícia arque com todas as responsabilidades que têm a ver com os cuidados médicos. Posto isto, há uma necessidade de se fazer uma sindicância interna, para que se possa averiguar se realmente foi um tiro acidental. E, através de mecanismos legais, há espaço para uma possível responsabilização administrativa ou criminal, que depois poderá vir com uma possível indeminização, porque não sabemos em que condições aquela cidadã vai encontrar-se daqui em diante”.

Refira-se que, em Mafalala, as buscas da PRM começaram às cinco horas da manhã, enquanto o artigo 212 do Código Penal, número 1, determina que as buscas em casa habitada ou sua dependência fechada devem ser efectuadas das 7 às 19horas, sob pena de nulidade e que devem ocorrer mediante ordem ou autorização de um juiz.

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