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Baixo crescimento reflecte fraco financiamento ao sector privado

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a economia moçambicana vai continuar a crescer abaixo do seu potencial. Em 2017, a economia cresceu 3.7 por cento e para este ano, o FMI prevê um crescimento de três por cento, a previsão mais conservadora. No primeiro trimestre do ano, a economia cresceu 3.2 por cento. Durante este período, o sector primário (agricultura, pescas e indústria mineira) – que representa 26.5 por cento do PIB – cresceu 4.7 por cento. O crescimento modesto reflecte, na avaliação do FMI, à estagnação do crédito ao sector privado. Enquanto o financiamento aos empresários reduziu, o governo recebeu mais crédito da banca comercial de 2017 a esta parte. E há uma explicação para isso: O governo precisa de se financiar, por isso emite muitos títulos da dívida pública. E porque as taxas de juro de financiamento ao governo aumentam, o sector privado vê-se obrigado a se financiar a taxas de juro muito elevadas. “Isso faz com que o sector privado aceda a menos financiamento”, disse Ari Aisen, representante do FMI em Moçambique.

Falando, esta segunda-feira, na apresentação do relatório sobre as perspectivas económicas para África Subsaariana, Ari Aisen defendeu que a falta de financiamento ao sector privado está afectar o desempenho da economia. E sustentou afirmando que os sectores que tiveram maior crescimento são aqueles que receberam mais crédito bancário. “A indústria extractiva, que cresce a nove por cento, está a receber a receber uma avaliação anual de crédito na ordem de 30 por cento, incluindo crédito privado que vem do exterior”.

Sem acesso ao financiamento, o investimento do sector privado baixou significativamente. “Isso significa que grande parte do ajuste das contas externas do país, do ponto de vista da demanda do PIB, baixou pelo facto do financiamento ao sector privado ter caído desproporcionalmente. O investimento público também caiu, mas caiu menos que o do sector privado”, explicou.

No sector fiscal, o FMI diz que as receitas estão em linha com as previsões. Aliás, dados da Autoridade Tributária indicam que no primeiro trimestre, o Estado arrecadou 20.7 por cento do total da receita prevista para o ano. Um sinal positivo, considera Ari Aisen, mas não anula o desafio de reduzir o défice fiscal em linha com a capacidade de financiamento da economia. Em 2017, Moçambique teve um défice fiscal na ordem de sete a oito por cento e para este ano há previsão de mais redução. Ainda assim, o défice fiscal vai continuar acima da média da África Subsaariana e da região.

Sobre a dívida pública – que neste momento representa 112 por cento do PIB, o FMI defende que a mesma seja reduzida para níveis sustentáveis a médio prazo. “O stock da dívida pública em relação ao PIB continua muito superior à média da SADC, aos países da baixa renda e da África Subsaariana no seu todo. Por isso que dizemos que Moçambique está numa situação de sobre-endividamento. Houve uma pequena redução como resultado da apreciação da taxa de câmbio”.

Como sinais positivos, o FMI aponta para a desaceleração contínua da inflação que se situação abaixo de cinco por cento (a projecção do FMI para este ano é de 6.5 por cento); a estabilização da taxa de câmbio; a melhoria da conta corrente durante o ano passado, com tendência a estabilizar-se durante os primeiros três meses de 2018; a estabilização do mercado cambial e a acumulação de de reservas internacionais líquidas que cobrem actualmente acima de sete meses de importações, excluindo dos megaprojectos.

 

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