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Autoridades de Saúde preocupadas com elevada taxa de gravidez precoce

Uma em cada duas raparigas dos 15 aos 19 anos de idade é mãe pela primeira vez ou está grávida em Moçambique. Contudo, a demanda pelos métodos contraceptivos reduziu significativamente, devido à pandemia da COVID-19, facto que preocupa as autoridades da Saúde. Estas consideram que a situação de gravidez precoce atingiu níveis elevados.

O país continua a registar taxas elevadas de gravidezes na adolescência, uma realidade que assola as raparigas com baixa renda, menos escolarizadas e que residem nas zonas rurais.

Para o ministro da Saúde, Armindo Tiago, quando uma rapariga fica grávida, o seu presente e o seu futuro mudam radicalmente. A probabilidade de abandono escolar aumenta, as oportunidades de emprego diminuem, a sua saúde fica em risco e agrava-se a sua vulnerabilidade à pobreza, exclusão e dependência.

Segundo o Inquérito de Indicadores de Imunização, Malária e HIV/SIDA em Moçambi-que (IMASIDA), realizado em 2015 e citado pelo Ministro da Saúde, o número de filhos por mulher continua elevado.

“Em média, uma mulher tem pelo menos cinco filhos. Uma em cada duas raparigas dos 15 aos 19 anos de idade é mãe ou esta gravida pela primeira vez. Uma em cada duas mortes, entre as mulheres dos 15 aos 24 anos de idade, é por causas relacionadas com a gravidez, parto e aborto”, avançou o titular da Saúde, Armindo Tiago.

Evidências científicas mostram que proporcionar o acesso à contracepção para as raparigas e mulheres que queiram adiar a gravidez ou parar de ter filhos tem o potencial de reduzir as gravidezes não planificadas em 73%, as mortes maternas em 35% e o aborto provocado em 70%.

O ministro falava esta quarta-feira, em Maputo, numa cerimónia cuja finalidade era “partilhar a história” do país “no que diz respeito ao uso dos serviços de saúde sexual e reprodutiva.

“Somos jovens e interessa-nos que estes serviços estejam disponíveis para todos nós, independentemente da raça e estatuo social. Se eu estiver em idade produtiva, preciso desses serviços e é um direito meu. Comecei a frequentar os serviços desde os meus 18 anos. Agora tenho 20 e a vantagem que este acto teve na vida foi ter uma formação saudável, livre da gravidez indesejada e livre das doenças sexualmente transmissíveis”, testemunhou a jovem Marta Mahumana.

Uma vez que a procura pelos métodos de contracepção reduziu significativamente, por conta da pandemia do novo Coronavírus, o Ministério da Saúde e os parceiros preten-dem melhorar a cobertura das intervenções específicas nos adolescentes e jovens.

“Este ano celebramos o Dia Mundial da Contracepção” e o mundo está “numa situação ímpar, devido à pandemia da COVID-19” e Moçambique assinala a efeméride apostando na consciencialização “para que mais rapazes e raparigas tomem a questão do pla-neamento familiar muito mais a sério”, disse Monique Mosolf, representante da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Apesar da pandemia, Armindo Tiago apelou ao não abandono do planeamento familiar para mais intervenção dos pais em matérias ligadas à vida saúde sexual dos adoles-centes.

As declarações acimas foram feitas no âmbito das comemorações da “Semana Nacional da Contracepção”.

 

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