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Automobilistas denunciam mau comportamento da Polícia

As reclamações são de automobilistas, sobretudo os de transporte semicolectivo de passageiros interprovinciais, que se queixam do alegado mau comportamento dos agentes da polícia de trânsito em matérias de fiscalização. Os automobilistas dizem que os agentes ficam escondidos ao longo das estradas o que lhes remete a cobranças ilícitas. No entender dos automobilistas, a polícia deve estar em lugares visíveis.

“Nós passamos mal na estrada. A cada vez que viajamos, os agentes interpelam-nos de uma forma estranha. Uns ficam escondidos e mandam te parar repentinamente. Outros, são aqueles que até nem querem saber da documentação”, disse Xavier Nhanquile, um dos fiscais dos transportadores no Terminal Rodoviário Interprovincial da Junta, em Maputo.

Sérgio Wilson é um dos transportadores que faz o trajecto Maputo-Inhambane e vice e versa. Wilson conta que tem sua viatura a fazer o transporte, mas avançou que as dificuldades são muitas ao longo da estrada, mesmo por causa da polícia. “Afinal, o que é Polícia de Trânsito? Não está para educar, alguns quando mandam-nos parar, nem querem saber da tua legalidade, mas sim, exigirem dinheiro. Pensava eu que o polícia está para orientar como é que devemos nos portar na estrada. Mas os nossos agentes ficam propositadamente em lugares impróprios para se aproveitarem de nós”.

Outro transportador disse que trabalha para dois patrões: o primeiro, o agente da polícia, e o segundo, o dono da viatura. Daí que descreve o seu trabalho como sendo um esforço em vão. “Sem dinheiro, você não consegue transportar as pessoas à vontade por que pelo caminho é necessário entregar a polícia. A cada viagem eu tenho que levar comigo no mínimo 1.500,000 (mil e quinhentos meticais) para distribuir a cada posto policial que parar. Isto é complicado. A gente chega a casa sem dinheiro de receita. O mais incrível é quando andamos à noite. O polícia recusa-se a receber até 200 meticais e recorre às ameaças da multa de 10.000 (dez mil meticais) e obriga-te a dividir a receita com ele. Está complicado trabalhar desta forma”, acrescentou.

Em torno destas reclamações dos automobilistas em que acusam os agentes da polícia de ficarem escondidos para a “caçada”, O País questionou o comandante da PRM da cidade de Maputo. Bernardino Rafael disse, na ocasião, que os agentes que procedem dessa forma, são violadores da lei e transgressões da postura da polícia e convidou a denúncia popular. “A nossa postura é: polícia visível e em lugar visível para regular o trânsito como garante de uma livre circulação de pessoas e bens em segurança. Quem procede da maneira contrária a esta é transgressor da lei e da nossa postura como polícia da República de Moçambique e deve ser denunciado. Nós estamos prontos para actuar. O ser humano, quando estiver errado, é susceptível a correcções”, realçou Bernardino Rafael.

 

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