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Austrália pode punir padres que não quebrem sigilo da confissão em casos de pedofilia

A Comissão australiana que investiga o abuso sexual de menores em instituições religiosas e públicas do país recomendou uma reforma do sistema penal de modo a que se possam denunciar casos revelados em confissão, escreve o Diário de Notícias.

O relatório "Justiça Criminal" recomenda que sejam impostas sanções penais contra os que não denunciem um caso de abuso sexual, incluindo aqueles que recebem essa informação através de uma confissão religiosa.

Também não deve ser dada "nenhuma desculpa, protecção ou privilégio" aos padres que não alertem a polícia por consideraram "que a informação sobre os abusos sexuais foi obtida mediante a confissão", indica o relatório da Comissão.

"A Comissão Real soube de casos em ambientes religiosos em que os agressores, que fizeram uma confissão religiosa sobre o abuso sexual de crianças, continuaram com os crimes e pediram perdão", acrescenta o documento.

A Igreja Católica, com forte presença na Austrália, recebeu queixas de 4.500 pessoas por alegados abusos de menores cometidos por cerca de 1.880 religiosos, entre 1980 e 2015.

No início do ano, vários arcebispos australianos admitiram que a resposta da Igreja Católica do país aos casos de pedofilia foi errada.

A Comissão, criada em 2012, tenta melhorar os cuidados às vítimas e sancionar com maior severidade os agressores, bem como aqueles que falharam na protecção dos menores e na denúncia dos casos.

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