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Até tentamos… mas perdemos como sempre

Foto: FIFA

Os Mambas voltaram a perder, diante dos Camarões, desta feita por uma bola sem resposta, em partida da quarta jornada de qualificação ao Mundial do Qatar, em 2022. A selecção nacional hipoteca, assim, a possibilidade de lutar por um lugar na fase do play-off de acesso à fase final da maior prova mundial de selecções.

Foi mais uma derrota, mais uma vez às custas dos erros defensivos, desta vez atribuídos aos guarda-redes Ernan, que se fez mal a um pontapé de canto, que podia ter controlado, mas falhou e deixou que Ngadjiu cabeceasse para o único golo da partida, aos 68 minutos. Um resultado penalizador para aquilo que os Mambas fizeram, pelo menos neste jogo, em que o empate, no mínimo, podia ter assentado bem no final dos 90 minutos.

Mas, há que realçar o facto de Horácio Gonçalves ter feito algumas alterações na equipa inicial que jogou na passada sexta-feira, tendo deixado de fora os defesas Betão e Cigano, bem como o médio Nené, e para os seus lugares terem entrado David Malembane, que fez a sua estreia absoluta com a camisola dos Mambas, Fidel e Bonera, perfazendo um sistema táctico de 3-5-2, onde Malembane, Bonera e Martinho defendiam o sector mais recuado.

Fidel, Kambala, Shaquile, Geny Catamo e Reinildo Mandava controlavam o sector intermediário e estavam para alimentar Luís Miquissone e Dayo, os dois homens da frente.

Parecia que a ideia era surpreender o adversário, aproveitando o facto de não ter treinado nas vésperas do jogo, em virtude de ter chegado só na madrugada a Tanger, para o jogo desta segunda-feira.

 

AGUENTAR ATÉ ONDE PUDER

Era facto que, apesar de não ter treinado, Camarões é sempre Camarões e não haveria facilidades para os Mambas. Talvez por isso mesmo a palavra de ordem fosse “aguentar até onde puder”. E foi isso que os Mambas procuraram fazer nos instantes iniciais, com Fidel, pelo corredor direito, a ser uma unidade de grande valor, chegando a dispor de uma oportunidade de marcar, quando consegue roubar a bola de um adversário, na zona do meio e, em velocidade, chega à grande área, mas ter-se-á assustado com a facilidade, que, em vez de rematar para a baliza, preferiu um passe, para onde não estava nenhum jogador moçambicano.

Mas, aos 21 minutos, os Leões Indomáveis quase marcavam quando Aboubakar “trocou” de Malembane, na pequena área, ficou em boa posição e rematou forte, a valer a atenção de Ernan, que defendeu para canto.

Ainda assim, os Mambas aguentaram-se até ao intervalo, chegando a estremecer a selecção adversária, que pouco fez para merecer um resultado diferente do nulo ao cabo dos primeiros 45 minutos. Até porque Aboubakar não parecia estar interessado em marcar, já que teve nos pés a oportunidade de abrir o marcador, mas preferiu um remate acrobático e a bola passou por cima da baliza de Ernan, quando este já estava batido.

 

SEGUNDA PARTE COMEÇOU COM MESMA DETERMINAÇÃO

O início da segunda parte até foi bastante promissor. Os Mambas tinham domínio da bola, sabiam trocar a bola de pé para pé, criaram algumas tremedeiras na defensiva camaronesa e até chegaram a domar o Leão adormecido.

Dayo e Fidel eram os homens que mais oportunidades desperdiçaram. Aliás, num contra ataque rápido, Dayo e Geny Catamo estiveram juntos na frente e podiam ter aberto o marcador, mas o jogador dos “locomotivas” da Beira fez um passe atrasado para o avançado do Sporting, que já acossado, rematou contra o corpo de um adversário.

Na defesa, o trio de centrais aguentava-se a contente, com Malembane e Bonera a justificar terem feito parte da equipa inicial no jogo de sexta-feira, afinal, nem Aboubakar, nem Ekambi e muito menos Chopo-Mouting conseguiam furar.

 

RESISTÊNCIA ACABOU COM AS MESMAS FALHAS DE SEMPRE

Estava nas expectativas que o nulo se mantivesse até ao final do encontro, mesmo porque parecia que tudo estava a ser bem encaminhado para tal. As transições eram perfeitas, desde a defesa, o meio-campo e o ataque, pecando apenas na hora de finalizar.

Mas, pouco a pouco, a resistência começava a perder fulgor. Tal como o velho ditado “quem não marca arrisca-se a sofrer”, os Mambas arriscaram-se e acabaram por sofrer.

Aos 69 minutos, na cobrança de um canto, Ernan tem uma saída em falso, não chegando a tocar na bola, que passou pela cabeça de um camaronês até chegar à cabeça do outro, Ngadeu Ngadjiu, que colocou a bola no segundo poste. Grandes culpas para o guarda-redes moçambicano, que abordou mal o lance e permitiu o cabeceamento de Ngadjiu.

Ficava mais difícil recuperar-se de uma desvantagem perante os Leões Indomáveis, cada vez mais indomáveis pelos míseros Mambas que nem veneno têm mais.

Nem mesmo as duas cavalgadas e tentativas de remates de Geny Catamo e Estevão, já nos últimos 10 minutos, conseguiram apagar a pálida e sofrida exibição da selecção nacional, que, desta vez, até tentou, mas perdeu como sempre o faz.

Esta foi a terceira derrota dos Mambas nos quatro jogos de qualificação ao Mundial de 2022, que mantém a selecção na cauda, com apenas um ponto, e já com a qualificação hipotecada, faltando jogar pela honra, diante da Costa do Marfim e Malawi, em Novembro próximo, nas duas últimas jornadas da fase de grupos e, quiçá, tentar não terminar como lanterna vermelha.

A disputa da qualificação fica, assim, reduzida a apenas duas selecções, nomeadamente Camarões e Costa do Marfim.

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