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Ataques armados estão a retrair investidores

Há pouco mais de um ano que a zona centro do país, sobretudo as províncias de Manica e Sofala, vivem dias tensos por conta de ameaças de homens armados que as autoridades governamentais dizem pertencer a auto-proclamada Junta Militar da Renamo, liderado pelo dissidente da perdiz, Mariano Nhongo.

Enquanto isso, a província nortenha de Cabo Delgado têm sido alvo de ataques terroristas, os quais já provocaram vários deslocados e centenas de mortos.

Estes fenómenos que atentam à paz e segurança no país já começam a afectar a situação económica e a continuarem, investidores ficarão amedrontados e como consequência, a economia pode ficar retraída, segundo avançou Rogério Zandamela, governador do Banco de Moçambique.

“Nós não quantificamos ainda o peso dos ataques sobre a economia moçambicana”, disse Zandamela, ressalvando que o Banco Central por enquanto toma os ataques como factores de risco na sua estratégia de reformas com vista a estabilidade e crescimento da economia.

“Claro que são elementos preocupantes, trazem incertezas e onde há incertezas, dificulta-se certo tipo de investimentos, estes ficam mais caros, amedrontam-se investidores que em condições normais teríamos maiores e melhores qualidades de investimento, mas continuamos a trabalhar em colaboração com as Forças de Defesa e Segurança, para assegurar que todos projectos que estão programados, aconteçam nos seus prazos previstos”, referiu.

Especial atenção, para Zandamela, deve se dar aos projectos que estão a ser implementados em Cabo Delgado relativos à exploração de recursos minerais para que não haja atrasos nesses projectos, dai que esses esforços das Forças de Defesa e Segurança devem ser acarinhados para que tais projectos aconteçam em ambiente de paz e tranquilidades.

CONFIANÇA NAS LIDERANÇAS POLÍTICAS

O Xerife da Banca Central diz ter confiança de que além de empenho das Forças de Defesa e Segurança que trabalham nos teatros operacionais para estancar os ataques, tanto terroristas, como de homens armas, igual exercício está a ser feito pelas lideranças políticas do país ao mais alto nível.

“Há também esforços políticos, embora não visíveis, para assegurar que as coisas aconteçam na normalidade”, perspectivou.

NÚMERO ÚNICO DE INDENTIFICAÇÃO BANCÁRIA PODE COMBATER TERRORISMO

Por outro lado, Rogério Zandamela referiu que o Número Único de Identificação Bancária (NUIB) que vai ser introduzido pelo Banco de Moçambique tem, entre outros objectivos, o controlo das fontes de financiamento ao terrorismo.

O gestor número um do sistema financeiro no país, começou por dizer que têm se notado um desregramento relativamente ao uso de serviços bancários, o que passa por algumas pessoas usarem várias identidades que as usam para aceder tais serviços, o que complica o controlo, sobretudo saber quem é que opera no sistema financeiro.

“As pessoas usam várias identidades, a mesma pessoa vai a um Banco, apresenta uma identidade, pede dinheiro entrevistado, recebe os serviços e passa, vai noutro com outra identidade e os serviços bancários não sabendo com quem está lidar”, disse Zandamela, explicando que “esse também é um esforço de luta contra o branqueamento de capitais”.

Outra vantagem da introdução do número único de identificação bancária, de acordo com a fonte é evitar o financiamento ao terrorismo.
“O mundo tem uma tolerância muito limitada para países que são relaxados na área de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. É importante saber isso, porque mesmo parte dos aspectos militares das zonas centro e norte do país tem algum elemento de financiamento. e se nós não sabemos quem são as pessoas que movimentam dinheiro, ai também fica difícil ajudar as Forças de Defesa e Segurança”, finalizou.

 

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