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Associação de Escolas de Condução defende testes psicotécnicos a condutores

Dias depois do acidente de viação que matou 32 pessoas e fez vários feridos, em Maluana, o “País” ouviu as escolas de condução. Reagindo sobre o sinistro, Júlio Boene, representante da Associação das Escolas de Condução (AECOMO), defende que haja uma alteração a nível da legislação, para que se acomode a obrigatoriedade da realização de exames psicotécnicos aos condutores.

“Para além da necessidade de haver uma reciclagem periódica dos condutores, é necessário que sejam feitos exames psicotécnicos, por forma a sabermos a quem estamos a entregar as vidas dos nossos passageiros”, defendeu Boene.

“O comportamento de alguns motoristas de transporte público não é de pessoas normais, provavelmente seja de pessoas com algumas perturbações psíquicas. As velocidades que empreendem são excessivas e cometem tantas irregularidades”, detalhou.

Para Júlio Boene, a irresponsabilidade dos condutores está por detrás de tantos sinistros no país, por isso é urgente que se tomem medidas para se travar este mal.

Chamadas a intervir, as escolas de condução defenderam-se das acusações que recaem sobre si, que dão conta de que é nelas de onde saem os condutores irresponsáveis.

Joaquim Chirinda, Director-geral da Escola de Condução Malinda, disse que a sua instituição e as outras têm cumprido o seu papel e que os instruendos saem das escolas com conhecimentos suficientes para uma condução segura e de qualidade.

“Nas nossas escolas, os alunos são bem formados, mas há questões que não podemos ser nós a ensinar. O respeito à vida é uma delas. Por isso, acho que as escolas básicas deviam ensinar o respeito pela própria vida e pela vida dos outros”, referiu a fonte.

Instrutor há 11 anos, Chirinda defendeu que só com uma educação de base sólida é que teremos condutores que respeitem as regras de trânsito.

Alberto Laísse, instrutor há mais de 20 anos, contou que sempre se preocupou com a transmissão dos conhecimentos com rigor e acrescentou que “não é verdade que nós formamos mal. Para resolver a situação dos acidentes, é preciso que haja uma fiscalização mais agressiva por parte da Polícia de Trânsito”, avançou.

Quem corrobora com a mesma opinião é o analista político Agostinho Zacarias. Para o comentador do “Noite Informativa” da STV Notícias, é preciso que se imponha disciplina na fiscalização de viaturas para que estejam mecanicamente em condições de circular e não causem acidentes. Mas ele foi mais longe, dizendo que “é preciso uma maior disciplina à própria Polícia. A multa que não passam, a inspecção que não verificam estão a passar uma certidão de óbito aos seus entes queridos”, concluiu.

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