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Artistas plásticos ‘arteam’ Mia Couto  

Histórias com cores e vício-inverso, arteando Mia Couto é o título da exposição de artes plásticas inaugurada esta quarta-feira, na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. A colectiva é, essencialmente, uma recriação às obras do Prémio Camões 2013.

Ano passado, três artistas plásticos decidiram expor uma colectiva que recriasse a obra literária de Mia Couto. O projecto adiado, Histórias com cores e vício-inverso, arteando Mia Couto, finalmente, foi inaugurado esta quarta-feira, na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. Os autores são eles AManhiça, Elias Manjate e Marcos P’fuka, que, através das suas percepções, retiraram na escrita miacotiana o que entendem ter enquadramento nas paredes de qualquer galeria.

Momentos depois do acto simbólico que caracteriza as inaugurações de artes plásticas, Elias Manjate explicou que gostaria que o público encontrasse os vários diálogos possíveis entre as artes plásticas e a literatura. Esta é, igualmente, uma forma de despertar nos visitantes da colectiva o interesse pelas diferentes possibilidades que a ficção de Mia Couto oferece, até porque as telas pintadas, por exemplo, reflectem um pouco do que se passa na sociedade moçambicana. Não foi nada simples, preveniu Elias Manjate: “Foi um trabalho complexo, porque traduzir Mia Couto não é tarefa fácil. Mas foi, de certa forma, gratificante. Principalmente quando, ao chegar ao fim, e sem certeza de termos conseguido alcançar o nosso objectivo, ficamos satisfeitos por termos tentado”.

Para Marcos P’fuka, um dos autores da exposição, criar uma colectiva inspirada na ficção de Mia Couto é uma ideia inédita. “Entregamo-nos a este desafio com muita garra, porque, antes, já tínhamos lido a obra do escritor. Mia Couto, para mim, é um artista plástico que escreve. Então, a nossa adaptação para as telas fluiu facilmente porque ele é criativo e as obras desafiadoras para a inteligência”.

Os artistas plásticos tiveram de ler as obras de Mia Couto várias vezes, até porque a ideia não era fazer ilustração, mas perceber o pensamento do autor e colocá-lo na tela. A exposição apresenta 21 obras, sete de cada artista. As técnicas usadas são óleo sobre tela e escultura sobre ferro.

Não obstante, AManhiça referiu-se ao que despertou neles o interesse pela iniciativa. “Nós temos obras de escritores a serem levadas para o teatro ou para o cinema. Então, colocámo-nos o desafio de recriar a obra de um escritor nacional numa exposição. Escolhemos o Mia porque, para mim, ele é o escritor moçambicano mais versátil e porque escreve obras profundas sobre a nossa moçambicanidade e sobre a nossa cultura”. Para AManhinça, calhou bem porque eles se interessam por temáticas relativas à moçambicanidade.

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