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Arquitecto brasileiro propõe ordenamento de vilas agrárias moçambicanas

O arquitecto brasileiro, Sidney Quintela, entregou, hoje, ao Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, um estudo por ele realizado na aldeia de Nauela, no distrito de Alto Molócuè, na província da Zambézia, e que foi tese de mestrado na Universidade de Lisboa e que lhe valeu uma excelente classificação final. O estudo teve como base a fase piloto do projecto Sustenta, que, para além do desenvolvimento da agricultura do sector familiar, preconizava o desenvolvimento rural e a instalação de vilas agrícolas no país.

No estudo científico, o arquitecto brasileiro propõe uma nova abordagem de ordenamento territorial e urbanização das zonas rurais, respeitando os hábitos e costumes locais, bem como a cultura local e os materiais usados localmente para a construção de edifícios públicos e habitações, como é o caso dos tijolos de barro queimado.

O projecto tem em conta ainda a principal actividade económica da comunidade de Nauela, que é a agricultura, daí que propõe a construção, dentro do ordenamento, de infra-estruturas que possibilitem a formação e capacitação dos agricultores do sector familiar para melhorarem a sua capacidade de produção, mas também de condições para que eles possam armazenar a sua produção para melhor conservação, processamento e a respectiva comercialização.

A iniciativa inclui, igualmente, a construção de infra-estruturas sociais como centros de saúde, escolas primárias do primeiro e segundo graus, esquadras da polícia entre outros edifícios que apoiam o pleno exercício da cidadania como explicou o arquitecto à nossa equipa de reportagem.

Outra grande vantagem do seu estudo é que irá promover a permanência da população nas suas zonas de origem, evitando o êxodo rural, uma vez que o planeamento vai conferir mais dignidade e potenciar as actividades que eles já desenvolvem localmente.

O estudo estima que a ser implementado o projecto não requer valores monetários avultados, uma vez que custa cerca de 140 dólares por pessoa, o que significa que, na comunidade de Nauela, que conta com pouco mais de 107 mil habitantes, o Estado poderia gastar aproximadamente 15 milhões de dólares norte-americanos para modernizar as condições em que a comunidade vive, e este investimento pode ser realizado de forma faseada. Aliás as próprias casas podem ser construídas pela comunidade de forma evolutiva.

O estudo realizado por Sidney Quintela pode ser implementado em todo o país a uma escala mínima de duas localidades por província, observando as características culturais e antropológicas de cada uma delas para que as próprias comunidades possam se apropriar do projecto e fazerem parte dela tal como aconteceu em Nauela.

E para que o projecto possa sair do papel para realidade, o arquitecto recomenda o envolvimento das autoridades governamentais, as organizações da Sociedade Civil e as próprias comunidades porque o mesmo faz valer as premissas do modelo de desenvolvimento sustentável, porque tem em conta os requisitos de sustentabilidade ambiental, social e económica, para além da sustentabilidade étnica por envolver as questões étnicas e culturais das comunidades envolvidas.

O estudo foi desenvolvido nos últimos três anos e Sidney Quintela diz ser significante para si porque é sobre um povo pelo qual nutre uma especial simpatia desde que pela primeira vez conheceu há quase 13 anos, quando foi convidado a visitar Moçambique pelo PCA do Grupo Soico, Daniel David. Desde lá, tem sido um visitante frequente do país. E por isso espera ver um dia o seu estudo a ser implementado e a contribuir para melhorar as condições de vida dos moçambicanos e influenciar mudanças nas zonas rurais, não só de Moçambique, como nos países da Região Austral de África.

Ressaltar que a iniciativa vai ao encontro das intenções do Governo moçambicano de – através do projecto Sustenta, que está a ser implementado em todo o país com o objectivo de melhor integrar os produtores do sector familiar nas cadeias de valor agrícola e criar vilas agrícolas pelo país – promover o desenvolvimento rural.

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