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Apenas 48% dos alunos do ensino primário estão no ano certo de acordo com a sua idade

De acordo com a Avaliação Longitudinal da Desistência Escolar (ALDE) em Moçambique, realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em colaboração com a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) e o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), que estuda os factores de absentismo, progressão, e desistência escolares no ensino primário, apenas 48% dos alunos do ensino primário estão no ano certo de acordo com a sua idade.

A pesquisa refere ainda que, em média, as crianças estão ausentes da escola 39% do tempo; que menos de metade de todas as crianças das zonas rurais (46%) progride na escola, de acordo com a sua idade, em comparação com a maioria das crianças das zonas urbanas (65%); e que as crianças mais pobres têm três vezes mais probabilidades de ficarem muito para trás na escola (quatro ou mais anos) em comparação com os seus pares mais ricos (17% vs 5%).

Já o relatório sobre a aprendizagem dos alunos durante o encerramento das escolas devido à COVID-19 refere que a pandemia tem causado choques relacionados com perturbações no rendimento familiar e na segurança alimentar para a maioria dos agregados familiares.

“Quase duas em cada três crianças estiveram envolvidas em algum tipo de actividade de estudo durante o período em que as aulas foram interrompidas, contudo o acesso e uso de materiais e recursos de aprendizagem foram muito limitados. Apenas 16% receberam fichas de exercícios do professor. 76% dos encarregados de educação expressaram preocupação em relação ao estudo dos seus filhos quando as escolas estavam fechadas”, conclui o estudo.

Concebidos para informar o processo político, os dois relatórios da ALDE contribuem para reforçar a resposta política, fornecendo dados sobre o percurso de uma criança na escola primária e identificando pontos críticos para intervenções, especialmente para as raparigas.

Os dois relatórios destacam recomendações que apelam à acção no sector da educação, particularmente nas áreas de (i) governação e gestão das escolas; (ii) o clima escolar e comunicação entre os pais, a comunidade e a escola, e (iii) o financiamento escolar.

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