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Ao estilo 34, “vana va ndota” celebram carreira

34 anos é o tempo de vida que Ghorwane tem. Para assinalar esse marco raro na música moçambicana, os integrantes da banda uniram a sua festa à da cidade de Maputo, que, este mês, completa 130 anos.

Assim, os “vana va ndota” subiram ao palco do Coconuts Live, na capital do país, na noite do último sábado, e conduziram o público, maioritariamente jovem, a uma viagem pelo tempo, por via da música. Ghorwane tocou temas que não só marcaram a história do país como de um país inteiro, claro, sem se esquecer do seu álbum mais recente,“Kukuvata”, que ali encontra-se a música mais afamada da banda neste momento, “Mussakaze”, a qual, no Coconuts, revelou coros improváveis do lado do auditório, cantando-se como terapia.

De acordo com Carlos Gove, o baixista da banda, os 34 anos de Ghorwane foram sempre trilhados com respeito ao público que os acompanhou. E, agora que as rugas tornam-se salientes nos semblantes de alguns membros, a maior preocupação de Ghorwane já não é apenas a música, embora não deixe de ser importante: “De uns tempos para cá, a grande preocupação que temos é tentar transmitir à nova geração um legado na forma de estar na música. E estamos nesse processo, daí termos apostado em sangue novo na banda, consciente de que, na mesma proporção que ensinamos também podemos aprender”, afirmou Carlos Gove, acrescentando: “precisamos de bandas consistentes no país, embora reconheçamos que há uma nova vaga de músicos que vem com uma abordagem diferente, que faz com que o futuro musical no país seja promissor”.

Ghorwane resolveu associar a celebração dos 34 anos de carreira aos 130 da cidade de Maputo em jeito de agradecimento, “porque a banda surgiu aqui, vivemos aqui e aprendemos muito desta cidade. Há um compromisso entre a banda e a cidade que não se pode separar. Aqui Ghorwane construiu-se e, a partir daqui, temos feito música para o mundo”.

Quando Ghorwane foi fundada, Sheila Jesuita, uma das integrantes, ainda não havia nascido. Nada que impede que a princesa do grupo pense a grande, quando se fala do horizonte que lhes move: “o céu é o limite. Não temos um ponto exacto que queremos alcançar. Nós queremos é continuar a fazer música, ficando na história do país a cada momento, sempre com o mesmo entusiasmo. E nós próprios vamo-nos alegrando à medida que vamos fazendo o nosso trabalho”.

A celebração dos 34 anos de carreira da banda Ghorwane e 130 da cidade de Maputo contou com a presença de alguns convidados, como os irmãos Willy e Aníbal. O segundo foi o produtor do primeiro espectáculo de Ghorwane. Aníbal lembra-se desse momento como se fosse hoje:

Ghorwane é um grupo que vi nascer. Eles actuaram pela primeira vez no Cine-África. Eu fui o produtor desse espectáculo, como membro da Associação dos Músicos. Então é uma satisfação ver que até hoje eles cultivam este tipo de trabalho de raiz”.

Com efeito, uma das pessoas que fez com que o preço do bilhete do espectáculo valesse a pena foi Xixel Langa, que, cantando cerca de cinco músicas, enquanto esteve no palco, numa actuação categórica, enérgica, fez com que o público pensasse que o espectáculo só poderia ser dela. E não era para menos, afinal a cantora e a banda têm algo em comum. E Xixel lembrou: “a banda Ghorwane tem minha idade. Começaram exactamente quando eu nasci e costumavam ensaiar lá em casa. Então tem um significado importante actuar no espectáculo dos 34 anos, também porque um dos co-fundadores da banda foi o meu tio, Pedro Langa. É bom estar a compartilhar esta felicidade dos 34 anos com os tios, e espero partilhar meus 34 anos de carreira com eles”.

Ghorwane foi fundada em 1983, e, o seu repertório musical inclui obras como “Majurugenta” “Vana va ndota”, “Kudumba” e “Kukavata”.

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