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António Carlos do Rosário nega ser proprietário do hotel Mabhassa em Tete

O réu António Carlos do Rosário disse, nesta sexta-feira, ao Tribunal que não é proprietário do Hotel Mabhassa Limitada, em Tete, e que a mesmo pertence 100% à empresa Txopela Investments SA.

Pelo sétimo dia, o réu António Carlos do Rosário continuou a ser submetido ao interrogatório pelo Ministério Público (MP). Dando seguimento ao questionário, relativamente ao hotel Mabhassa, edificado em Tete, a magistratura perguntou ao réu se tinha alguma relação com a empresa, tendo respondido negativamente, alegando ao facto de pertencer à empresa Txopela.

“Não tenho nenhuma relação pessoal com o hotel. O hotel pertence à Txopela. A Mabhassa pertence 100% à Txopela e não me recordo quando foi constituída”, referiu o réu.

O réu disse ao Tribunal que se recordava de ter transmitido a titularidade do imóvel à Txopela, ou seja, que vendeu o imóvel à Txopela, mas, para explicar com exatidão, precisava de verificar os documentos que constam dos autos.

O antigo PCA da ProÍndicus, MAM e Ematum disse ainda que transmitiu as benfeitorias em Novembro de 2013. Entretanto, ainda não recebeu o valor até à presente data.

Questionado por que ainda em 2014, de acordo com a correspondência que analisou na quinta-feira, discutia com o arquitecto Momode Fiky sobre os aspectos relativos à construção e ao apetrechamento do imóvel, o réu voltou a pôr em causa a credibilidade dos e-mails supostamente enviados por si, relacionados ao hotel em Tete.

O réu admitiu a possibilidade de os e-mails terem sido forjados.

“Ontem, pus em causa os e-mails que me foram apresentados e eu tinha certeza de que nunca tratei esses assuntos por e-mail. É por isso que disse que havia martelanços nos documentos. Quero ter certeza de que ele é meu amigo, até ter certeza de que ele  não forjou os e-mails. Achava que fosse o meu amigo. Creio que ele pode ser arrolado como declarante. Ele admite que prestou declarações falsas para justificar o recebimento do valor. O que me garante que nesses e-mails, em particular, está a dizer a verdade?”

O Ministério Público refutou as palavras do réu. “Eu não disse que o arquitecto prestou declarações falsas, mas também irei proceder à leitura na íntegra da documentação que explica como o conheceu e implantou os dois edifícios no seu interesse e seu benefício segundo as declarações do arquitecto”, afirmou a procuradora Ana Sheila Marrengula.

Depois da leitura, o réu manteve a sua opinião em relação ao teor dos e-mails.

Segundo Ana Sheila Marrengula, constam ainda da carta rogatória, proveniente da Argélia, dois e-mails enviados pelo réu a discutir assuntos ligados ao hotel.

“Isso não é real. À data dos factos, eu não tratava esses detalhes sobre o hotel. Estou a admirar o facto de isso vir da Argélia. A pessoa sai e fica a mandar isto de fora. Que a pessoa venha explicar! Este é mais um maretelanço. Eu, como disse ontem, não tenho problemas em assumir responsabilidade dos meus actos. Eu socorro-me dos documentos para me recordar”, contestou o réu.

Relativamente aos e-mails imputados pelo MP, o réu disse que “foram forjados pela fonte que facultou”, referindo-se ao arquitecto que terá dito, em declarações, que o hotel pertencia ao réu Carlos António do Rosário. Em vários e-mails, segundo o Tribunal, o réu discute assuntos ligados ao hotel, mas diz que são falsos.

“Quanto à carta rogatória, nunca troquei este e-mail neste sentido. É um martelanço da fonte.”

Perguntado se o arquitecto tinha razões para forjar os e-mails, o réu disse que não sabia, porque nunca lhe deu motivos.

“Eu é que o apresentei aos donos que tudo era meu. Nós já não nos falamos. Há coisas que alguém faz na nossa ausência e nós não sabemos. Não é possível agradar a gregos e troianos. Quando ele souber que estou aqui, vai ganhar um pouco de juízo. Em algumas coisas, temos que ser honestos. A ser verdade que ele submeteu os e-mails, começo a acreditar que, pelo facto de não ter agido como ele queria, ele tenha forjado, embora nunca lhe desse motivo”, afirmou.

“Ele disse que você lhe pagou, para construir através de transferência do dinheiro vindo da Privinvest com a sua orientação. E, para provar isso, chutou esses e-mails. Conversas supostamente suas e com ele”, recordou o juiz ao réu as declarações do arquitecto.

O réu negou todas as declarações e disse que a construção do hotel em Tete não foi paga com valores do grupo Privinvest. E mais, o réu disse que não se recorda se celebrou a escritura pública de compra e venda do imóvel.

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