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ANE conclui parcialmente reposição da ponte sobre rio Elege em Nicoadala na quarta-feira

Foto: O País

Já iniciaram trabalhos de reposição dos solos de encontro do aqueduto arrastados no último sábado pela força das águas do rio Elege no distrito de Nicoadala, na Zambézia. Neste contexto, o trânsito rodoviário ao longo da EN1 continua interrompido, deixando a zona Norte do país isolada em termos de circulação de viaturas e bens.

As máquinas já estão a roncar visando a reposição dos solos da Estrada Nacional Número 1 (EN1) no distrito de Nicoadala, província da Zambézia. O empreiteiro abriu uma frente de homens que procuram flexibilizar os trabalhos, já que passam mais de 48 horas que a estrada ficou interrompida, isolando a zona Norte do país.

Terminada a colocação da rampa que possibilita a passagem de peões, esta segunda-feira, os trabalhos incidiram na reposição dos solos e colocação das pedras para permitir a construção do piso provisório.

O delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE), Jorge Govanhica, fez saber que quarta-feira é o prazo limite para conclusão das obras de emergência.

“E hoje pela manhã, demos início ao trabalho efectivo de reparação do corte, em que a solução inicial era reposição do rachão. No entanto, estamos a enfrentar alguma dificuldade no acesso às pedreiras e isso nos obrigou a mudarmos de abordagem para uma solução alternativa, que é esta que estamos a implementar, que consiste na aplicação de uma lufada de areia onde serão assentes duas linhas de manilhas que vão possibilitar o fluxo da água na eventualidade de termos alguma chuva. Por cima dessas manilhas, iremos colocar outro material resistente até ao topo da linha, com vista a restabelecermos rapidamente a transitabilidade”, explicou Govanhica.

Segundo a mesma fonte, a avaliação preliminar feita pela ANE indica que os trabalhos de reposição da via cortada pela água da chuva poderão ser concluídos na quarta-feira.

Enquanto as obras de reposição da EN1 não chegam ao fim, as pessoas tomam transportes semi-colectivos no sentido Quelimane-Nicoadala e vice-versa, descem e caminham alguma distância até encontrar a rampa. Não há idade, género ou extracto social. Homens, mulheres e crianças procuram usar vias alternativas para chegarem ao seu destino enquanto a ANE prossegue com os trabalhos de reposição da via.

“A travessia não está boa, conhecemos as condições climatéricas e os desafios que o Governo tem e que está a fazer o seu esforço para que possamos ter esta travessia a tempo e hora”, disse Dércio Agostinho, um dos utentes da EN1.

Por seu turno, Silva Bernardo, também utente da mesma via, vindo de Gurué com destino a Quelimane, afirmou que a questão do trânsito é muito complicada.

“Tivemos duas paragens, há duas pontes estragadas e em manutenção. Estamos a enfrentar grandes obstáculos”, acrescentou Silva Bernardo.

“Foram dias muito difíceis, mas graças a Deus conseguimos. As águas baixaram, há já um trabalho que as autoridades estão a fazer para repor a transitabilidade. Montaram pequenas escadas com sacos de areia e os peões estão a conseguir circular”, disse Rizique Zacarias, outro utente da EN1.

Enquanto se aguarda pela conclusão dos trabalhos de emergência para reposição do asfalto naquele troço, centenas de camiões que pretendem seguir para os dois sentidos continuam na fila. Neste caso, nada mais podem fazer a não ser mesmo aguardar pela conclusão das obras de reposição da plataforma que poderá permitir o escoamento de viaturas ligeiras, numa primeira fase, e a conclusão do piso que suporte camiões de grande tonelagem, numa segunda. Com a força das águas do rio Elege, parte da estrutura de betão do aqueduto assentou, o que obrigou a estrutura a ceder, no último sábado.

 

CORTE DA EN1 CAUSA PERDAS A COMERCIANTES

Os impactos da interrupção da EN1 em Nicoadala já são visíveis. Diversos produtos estão a apodrecer dentro de camiões de grande tonelagem, dada a demora em chegar ao mercado de Quelimane.

Enquanto aguardam pela conclusão das obras de reposição da via, a cada dia os transportadores e comerciantes somam perdas. O jornal “O País” viu produtos alimentares, como hortícolas, a deteriorarem-se.

Ainda assim, os comerciantes, nacionais e estrangeiros (de Malawi em particular) tentam reduzir os prejuízos colocando água sobre os produtos, de modo a retardar a sua deterioração. Porém, é uma tentativa incerta, quanto à conclusão da via até agora interrompida. Por outro lado, há quem tenha optado em descarregar os sacos e, através da tracção humana, carregá-los até a outra margem da estrada para apanhar outro meio de transporte até Quelimane

“Chegamos aqui com a mercadoria, mas não conseguimos atravessar. É muito sofrimento. Assim, tive que procurar ajuda de algumas pessoas para carregarem a mercadoria até ao outro lado da estrada, sob pena de perder o meu dinheiro”, disse Sabina Max, comerciante malawiana.

Luciano Jequecene é um moçambicano que também faz a comercialização. Hoje, não sabe o que fazer com a sua mercadoria.

“Saí anteontem de Milange para aqui, e apanhei a ponte de Namacura alagada. De lá cheguei até ao rio Elege e encontrei o mesmo cenário e assim, estou à procura de outras alternativas para fazer chegar o meu produto ao mercado. A batata, cenoura, tomate, pimento e repolho já estão estragados”, declarou Jequecene.

Deste modo e devido a dificuldades em transportar produtos para Quelimane, a ponte sobre o rio Elege tornou-se num lugar de compra e venda, ou seja, mercado. Os vendedores “despacham” aqui a sua mercadoria a preços competitivos e os compradores controlam o relógio para chegar o mais cedo possível a Quelimane com produtos ainda em condições de serem consumidos.

“Saí de Quelimane e vim comprar repolho aqui, em Namacurra. A situação está caótica, tal como podem ver. A chuva estragou a ponte, mas agradecemos ao Governo por estar a reparar os danos”, disse Marcelino Francisco, amarrando sacos de produtos alimentares na sua bicicleta com destino a Quelimane.

Junto a Marcelino, está o Marcos Muzeia que, vindo de Quelimane, procura produtos que já estão a escassear no mercado da capital provincial da Zambézia. A bicicleta entrou em acção e salva aos poucos a esperança de ver transportar a mercadoria até Quelimane enquanto decorrem os trabalhos de reposição da via.

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