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AMVIRO teme que reparação de rotundas da circular aumentem número de acidentes

Depois de reduzidas pela REVIMO, para garantir maior segurança rodoviária, as rotundas da circular de Maputo passaram a ser usadas como se de estradas se tratasse. Os carros passam por cima delas. A AMVIRO diz que a situação coloca vidas humanas em risco e a Polícia de Trânsito afirma que será implacável nas multas.

A Circular de Maputo é um dos símbolos da sinistralidade rodoviária na capital do país.

Para reduzir o número de acidentes, a Rede Viária de Moçambique, REVIMO, decidiu reduzir a altura das rotundas e investir na sinalização. Era também objectivo garantir uma condução correcta e segura.

Mas, um vídeo amador, que circula nas redes sociais, filmado por um transgressor das regras de trânsito mostra que, para alguns, a vantagem das obras que vão abranger 21 rotundas é poder andar sobre elas.

Os utentes da via consideram a atitude errada, até porque “as rotundas não foram feitas para servir e faixas de rodagem”, como disse Enfraime Manhiça, transportador semi-colectivo.

“É errado, mas frequente”, ajuíza Sílvia, que afirma que “a altura das rotundas foi reduzida mais do que o necessário”.

Sobre a contravenção que teve direito a filmagem e circulação nas redes sociais que levanta debates sobre o comportamento dos automobilistas moçambicanos na via pública, “O País” colocou a Polícia de Trânsito e a Associação Moçambicana para as Vítimas da Insegurança Rodoviária, a AMVIRO, a analisar e os pareceres não tardaram.

Alexandre Nhampossa, Presidente da AMVIRO, diz que, pelo menos no que toca à condução correcta e redução da sinistralidade rodoviária, a REVIMO não fez o trabalho de casa.

“A remodelação da infra-estrutura, por si só, não resolve. É preciso investir na sensibilização, para que o condutor saiba que, mesmo tendo uma viatura potente e com capacidade de galgar sem problemas a rotunda, isso não se sobreponha a necessidade de respeitar as regras, o Código de Estrada”.

Nhampossa diz mais. Segundo o Presidente da Associação Moçambicana para as Vítimas da Insegurança Rodoviária, “a ideia da requalificação das rotundas sempre foi bem-vinda, mas é preciso, sempre, ouvir os outros intervenientes válidos, para fazer um trabalho correcto, sobretudo no que a sensibilização diz respeito”.

Sem que este trabalho seja desenvolvido, a AMVIRO afirma que a Estrada Circular de Maputo continuará a ser palco de acidentes, aliás, com as mexidas em curso, pode piorar. “Na semana passada mesmo, estive nesta estrada a socorrer dois jovens que foram atropelados. O condutor tentou fugir…”, circundou.

Já Isildo Bule, porta-voz da Polícia de Trânsito, que também concorda que é preciso envolver mais gente quando se trata de trabalhos de segurança pública, diz que aquele que for encontrado a conduzir sobre a rotunda será obrigado a pagar pesadas multas.

“O Código de Estrada não considera uma penalização específica para quem andar sobre as rotundas. Mas, podemos chamar a colação o Artigo 30, que fala sobre a velocidade excessiva porque, a princípio conclui-se que, se um indivíduo não consegue contornar devidamente a rotunda, estava em alta velocidade. Aí as multas podem chegar aos mil meticais”, explicou.

As penalizações serão mais duras se a contravenção culminar com um acidente de viação.

“Isso significa que, além das outras sanções, o indivíduo poderá ser multado com um valor de dois mil a quatro mil meticais”, explica Bule.

Os utentes da estrada Circular de Maputo, a Associação Moçambicana para as Vítimas da Insegurança Rodoviária e a Polícia da República de Moçambique deixam um conselho para a Rede Viária de Moçambique – “a sinistralidade rodoviária não se resolve com debates não inclusivos e com requalificação de infra-estruturas. É preciso incluir e sensibilizar”.

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