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Amosse Mucavele discute “fronteira” em Portugal

Amosse Mucavele esteve em Portugal. No país de Camões, Pessoa e Saramago, o poeta foi convidado a participar em vários eventos de âmbito literário, forma de dar azo a essa infinita necessidade de se ouvir o som dos silêncios que muitas vezes a palavra encerra.

Num dos eventos, Mucavele viu-se desafiado a debruçar sobre o tema "A Fronteira", que o poeta considera “um espaço invisível, de pensamento, de entoação de trajectórias, herança viva da palavra em acção, eterno utensílio para a multiplicação do diálogo intercultural”.

Na sua intervenção, Amosse Mucavele sublinhou que o que mais lhe seduz na imagem causada pelo tema proposto para conversa, "A Fronteira", é a particularidade de ser um lugar de metamorfoses, confrontos, circulações, ressonâncias, representações e a capacidade dos descobrimentos do “outro”.

“Podemos olhar ‘A Fronteira’ nos termos do make it new poundiano, como um espaço incrível de prazer, um ‘entrelugar’ de revisão do passado, que teima em “ser absolutamente sempre o novo”, disse o garimpeiro da palavra no seu discurso.

De acordo com o autor do livro “Geografia do olhar”, não é por acaso que "A Fronteira" se caracteriza prioritariamente por ser uma cartografia de trânsito dividida simultaneamente entre a tradição e a ruptura, isto é, na construção do novo a partir da destruição do antigo, onde pulsa a nostalgia do “escuro anterior”, com as suas luzes de negação, e ao negar-se, afirma a sua pertença.

Ora, no Fundão o poeta foi pragmático ao referir que “a importância da experiência daquele que viajou, contudo, só se transforma em sabedoria quando cessada a viagem”. Além disso? “Este “entrelugar” [a fronteira] que separa e une ao mesmo tempo, tem a grande potencialidade de ser um espaço aberto de intercomunicação, é uma via de escape para o imaginário moçambicano, uma única via de fuga onírica e concreta em direcção a outras culturas e identidades que não são outras, porque já fazem parte da cultura moçambicana há muito tempo”, avançou.

Amosse Mucavele, Membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), foi convidado ao Festival Literário da Gardunha-Fundão, em Portugal, em representação de Moçambique, para uma série de eventos literários marcados para a segunda quinzena de Maio. Com efeito, Mucavele participou na IV edição do Festival, no Fundão, que contou com autores de Portugal, Angola, Espanha e Brasil.

O principal tema proposto ao Festival foi “A Viagem”, que incluiu debate sobre o conceito “fronteira”, geográfica, imaginária e poética.

 

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