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Álvaro Taruma debate sobre a “ideia e o texto” no CCBM

O Movimento Literário Kuphaluxa continua a fazer da escrita um pretexto para reflexão, no Centro Cultural Brasil-Moçambique (CCBM), em Maputo. Nesta quarta-feira, foi a vez do autor de Álvaro Taruma partilhar as suas experiências literárias com os leitores, numa conversa subordinada ao tema “Entre a ideia e o texto – a poesia que (in)surge”.

A apresentação de Taruma concentrou-se nos momentos e nos processos de criação do texto. “Foi uma espécie de oficina literária aberta, onde partilhei, acima de tudo, a minha dificuldade em preparar o ‘estojo literário’, por exemplo. E digo estojo ao esboço feito antes, em termos de ideias e de artifícios para a construção do texto”. O poeta falou, igualmente, da espontaneidade que perpassa o seu processo de criação, procurando mostrar que há um espaço vago entre a ideia e o texto, pois, muitas vezes, a ideia pode originar um produto diferente do texto inicial a que o autor se propõe criar.

Porque a escrita é feita de leituras, Álvaro Taruma auxiliou-se a pequenos textos, tais como o do poeta português António Carlos Cortez, que versam sobre momentos metapoéticos e que defendem, sobretudo, uma espécie de poesia insurgente, evasiva mas também uma poesia muito alicerçada na linguagem, a tese que se propôs defender.

A intervenção de Taruma enquadra-se à Mesa Literária, actividade semanal levada a cabo pelo Movimento Literário Kuphaluxa e que tem em vista a aproximação dos artistas ao seu público. Com efeito, serviu para uma conversa à volta de livros e sobre vivências.

Para Álvaro Taruma, o encontro desta quarta-feira foi uma espécie de retorno à casa uma vez que o seu livro, "Para uma cartografia da noite", em parte foi forjado numa daquelas salas do CCBM, “onde expúnhamos as nossas ideias e os nossos processos de criação aos outros confrades para podermos discutir em relação ao texto. Portanto, voltar àquela sala com o público que lá estava, parte do qual foi integrante e ainda é do movimento Kuphaluxa, para mim, foi interessante e emocionante”.

O encontro durou hora e meia, na opinião do poeta, tempo suficiente para que o artista não caia no esquecimento.
 
 

 

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