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Alguns muçulmanos passaram Eid a pedir esmola

Foto: O País

Enquanto uns passaram o Eid em verdadeiro ambiente de festa, outros sequer tiveram o que comer e foi nas ruas ou mesquitas onde passaram o dia à espera de algo para levar às suas casas.

Em regra, o dia de Eid começa com orações, segue-se, depois, às refeições, geralmente num ambiente de família, todos a celebrarem o fim do jejum.

Nos últimos anos, por conta das restrições impostas para conter a propagação da COVID-19, o ambiente festivo era vivido de forma tímida, com um número reduzido de pessoas, mas, este ano, as coisas mudaram – os muçulmanos puderam celebrar em verdadeiro ambiente de festa.

No entanto, para Katija Soraia, de 50 anos, as restrições ainda continuam, pois, na sua mesa, falta comida, uma situação que agudiza a situação em que se encontra – padece de uma doença crónica e o seu filho é portador de deficiência.

A solução encontrada por Katija é pedir esmola todos os dias nas ruas. Nesta segunda-feira, dia de Eid, não foi diferente. Sentada defronte a uma mesquita, na zona do Alto Maé na Cidade de Maputo, estava ela à espera de alguém que pudesse dar “zacate”, que significa esmola.

“O meu dia de Eid está a correr ‘bem’, acordei e fiz oração, mas, infelizmente, não tenho como celebrar, porque sou pobre, não tenho nada para comer, por isso estou aqui, na mesquita, aonde cheguei logo pela manhã e consegui 100 Meticais, mas, com esse dinheiro, não dá para fazer nada, por isso estou à espera de mais alguma coisa, para ver se consigo cozinhar para mim e meu filho”, contou.

Segundo disse, o valor que conseguiu é pouco, porque, para além de comida, precisa de comprar medicamentos para si e para o seu filho.

Este ano, mais uma vez, Katija não pôde celebrar o Eid, como noutros anos, mas não é a única. Numa outra mesquita, encontramos Aventina Cossa, com o rosto escondido por trás de uma burca e com uma ferida no pé e, segundo contou ao “O País”, foi o motivo do seu abandono pela família.

E era defronte à mesquita onde esperava paciente e esperançosamente por algo para levar à mesa da sua casa para, junto dos seus dois netos, poder ter uma refeição.

“Não tenho comida, não tenho casa, não tenho energia, não tenho marido e não tenho nada. Vivo todos os dias da graça de Allah e das pessoas de boa-fé que me ajudam. Ontem (referindo-se ao domingo), dormi aqui, na mesquita, e consegui 80 Meticais e, hoje (segunda-feira), também vou dormir na mesquita da 25 de Setembro, porque eles quebram o jejum amanhã, então verei se consigo alguma coisa”, explicou.

Na tranquilidade que caracterizou as avenidas da cidade capital esta segunda-feira, em pé e com a mão estendida, estava Munira Ismael, uma deficiente visual, nas esquinas entre as avenidas Karl Marx e 25 de Setembro, à espera que o semáforo fechasse, para, na companhia do seu filho, pedir esmola.

Por sorte, conseguiu pão arrufado, uma alegria para o menor, que já sabia que o Eid não seria passado sem algo na mesa, como aconteceu noutros anos.

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