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Algodão caroço mais caro até à próxima campanha agrícola

O quilo de algodão caroço subiu de 25 para 33 Meticais no país. A informação foi avançada, hoje, pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, durante a reunião de negociação do preço mínimo daquela cultura.

Na campanha de comercialização agrícola 2020/2021, o preço do algodão caroço por quilograma em Moçambique observou uma variação de 19 a 25 Meticais. À data dos factos, o Governo revelou que a produção do algodão registou um crescimento de 75%, saindo de 30 mil para 52 mil toneladas em 2019/2020, tendo depois prometido duplicar as exportações da fibra, passando de 20 milhões de dólares para cerca de 38 milhões.

Este ano, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural foi o palco da negociação do preço mínimo do algodão caroço, que juntou, à mesma mesa, produtores, empresas fomentadoras e o Governo.

Os produtores, através do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA), apresentaram a proposta de 35 Meticais por quilograma, mas os empresários, representados pela Associação Algodoeira de Moçambique (AAM), propuseram 30 Meticais. Coube ao Governo criar um consenso entre as partes.

“Porque estamos a pensar de forma inteligente e os produtores também já têm experiência, nós pensamos num meio-termo. Entramos nesta sala de negociações com um preço de 35 e 30 Meticais por quilograma. No entanto, foi acordado, no último segundo, depois de muita reflexão, o preço de 33 Meticais por quilograma para a presente campanha agrária”, informou Celso Correia, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Há dois anos, houve acordo similar para novos preços mínimos, num momento em que o custo tinha baixado drasticamente e algumas empresas equacionaram abandonar a compra do produto. Assim, o Governo decidiu injectar 240 milhões de Meticais de subsídios às empresas, garantindo a manutenção da sua ligação com 150 mil produtores familiares, equivalente a cerca de 800 mil pessoas.

O impacto da intervenção do Executivo para a economia foi positivo. O negócio gerou 20 milhões de dólares norte-americanos, 50% dos quais foram por encaixe directo dos produtores e 10%, que representam dois milhões de dólares norte-americanos para empresas de logística.

“A lógica dos subsídios, aplicada noutras geografias, surtiu o efeito”, frisou o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Esta política vai continuar, dado o impacto positivo deste sector, uma cultura de exportação de excelência, na balança de pagamentos e na balança comercial.

Com o novo preço acordado, o governante afirmou que as famílias produtoras de algodão caroço poderão aumentar os seus rendimentos em 35%.

“Hoje, volvidos dois anos, temos uma situação histórica, porque o preço do algodão atingiu uma das maiores exportações dos últimos 50 anos. Este novo preço vem em boa hora, porque Moçambique também enfrenta a crise que os outros países estão a enfrentar. Então, saber que 150 mil famílias, perto de um milhão de moçambicanos, vão ter um rendimento acima dos 35%, comparativamente ao ano passado, é uma notícia muito boa para o país”, salientou Celso Correia.

Correia congratulou as empresas e os produtores pelo aumento do rendimento da produção de algodão em Moçambique, recordando que o desafio do Governo é trabalhar para aumentar o rendimento das famílias e afirmou o compromisso de continuar a envidar esforços para manter a boa forma.

“O dilema agora é como manter esse rendimento, nomeadamente a sua sustentabilidade para as famílias.”

Já para os produtores e empresários, trata-se de um valor mobilizador e deve influenciar positivamente na sua produtividade.

“O preço que hoje foi anunciado é mais mobilizador a favor do algodão. Antes, produzíamos em pequenas áreas, mas, agora, podemos expandir a nossa produtividade. Estamos satisfeitos com a negociação”, disse Benson Simoco, presidente do Fórum Nacional dos Produtores de Algodão (FONPA).

“Hoje é um dia muito bom mesmo, porque este novo preço que passamos a observar vai permitir-nos aumentar a área de cultivo”, disse Anestezia Martinho, membro da FONPA.

Por seu turno, Francisco João Ferreira dos Santos, presidente da Associação Algodoeira de Moçambique, apontou que o preço alcançado vai satisfazer os anseios do sector.

“Aquilo que o nosso Governo investiu para o aumento da renda do produtor foi importante para minimizar os impactos da crise e permitiu multiplicar aquilo que vamos colher este ano”, frisou.

De acordo com o Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique, o preço deve vigorar até à próxima campanha agrícola. A mesma entidade avança ainda que, apesar dos aspectos negativos relacionados com a ocorrência de tempestade tropical Ana e o ciclone Gombe, houve boa mobilização inicial dos produtores e distribuição atempada de sementes pelas empresas presentes na campanha.

O subsector do algodão em Moçambique é composto pelo Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM, IP), Fórum Nacional dos Produtores do Algodão (FONPA) e Associação Algodoeira de Moçambique (AAM), que representa as empresas de fomento do algodão.

A produção do algodão é feita em regime de fomento, no qual o Governo assina contrato com as empresas e estes fornecem insumos e assistência técnica aos produtores, que, por sua vez, têm por obrigação vender o algodão às empresas a preço acordado pelas partes e aprovado pelo Executivo.

Actualmente, a produção do algodão envolve cerca de 200 mil produtores, seis empresas algodoeiras, gerando cerca de 30 mil postos de trabalho ao longo da sua cadeia de valor e conta com 13 fábricas de descaroçamento do algodão caroço, com capacidade instalada de processamento de cerca de 250 mil toneladas por ano.

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