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Águas do mar sobem e destroem casas na praia da Barra em Inhambane

O velho sonho de ter uma casa na praia começa a ruir e virar pesadelo em Inhambane. Os níveis do mar têm estado a subir e este ano a destruição imposta pela fúria das águas está à vista de todos.

Na praia da Barra, “O País” encontrou várias casas de férias destruídas. Na semana finda, as águas galgaram e deitaram abaixo parte das paredes das residências ali erguidas, quer de particulares, quer estâncias turísticas.

Segundo os residentes da zona, que assistiram impávidos à força demolidora do mar, o fenômeno acontece todos os anos, mas desta vez foi pior do que se esperava.

Para se ter noção da gravidade dos estragos, os moradores contaram que a linha da praia, que normalmente dista há mais de 80 metros das casas, desta vez ficou reduzida num piscar de olhos. Surpreendentemente, a água galgou tudo, corroeu as terras arenosas e, lentamente, começou as expor toda a estrutura base das casas, até que estas não resistiram e foram abaixo.

Desesperados, os donos das habitações tentam minimizar os estragos, colocando sacos cheios de areia como barreiras de protecção. “O País” testemunhou esse trabalho feito por jovens com pás em punhos, para travar a acção destrutiva pelas águas do mar. Mas nem isso resolvia o problema, pois as águas mostravam-se mais fortes que qualquer barricada.

O ambientalista António Cabral explicou que a subida do mar era previsível, uma vez que, além das marés equinociais, a partir de Outubro os ventos do norte começaram a se fazer sentir em Inhambane, cada vez com maior intensidade.

Esses ventos têm grande influência no mar, sendo por isso de esperar que as águas subam e galguem a terra firme além da habitual linha da praia.

Para António Cabral, o mais importante, agora, é que o Homem saiba viver com a natureza.

O interlocutor lamentou que não se tenha respeitado o limite do mar para erguer infra-estruturas e disse ainda que a solução passa por, de hoje em diante, respeitar o ordenamento territorial, evitando construções além da zona de protecção.

Nos anos passados, a praia de Tofo também sofreu com as marés altas, que obrigaram as autoridades a erguer uma muralha para travar as águas do mar.

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