O País – A verdade como notícia

Agricultores em colisão devido à alegada venda de terra

Foto: O País

Os camponeses do bairro Romão, na cidade de Maputo, estão agastados com uma alegada usurpação e venda de terras reservadas à prática da agricultura. No seio da associação agrícola, designada Armando Guebuza, há membros da direcção que estão, alegadamente, a vender as terras de outros integrantes.

Empunhavam enxadas, catanas e dançavam em repúdio à alegada venda das suas terras. Aliás, o local, onde estavam concentrados os mesmos agricultores, já foi machamba, mas hoje foi supostamente vendido para dar lugar a uma construção, a confirmação é do pedreiro encarregue de executar as obras. “Desde o momento que alguém compra, já não é machamba, senão o seu terreno, e tem, pois, o direito de fazer o que quiser”.

Enquanto, por um lado, repudiam a ocupação das suas terras, por outro, os homens prosseguem com aterragem.

Verónica Sitoe, que há 40 anos tira o seu sustento naquelas terras, aponta o dedo aos responsáveis da associação de estarem a vender as terras.

“São os nossos dirigentes, os que dirigem a associação, isto desde a morte de Macuácua que era nosso presidente. Esperamos pela resposta da casa agrária, mesmo assim as construções continuam, queremos saber o que está a acontecer, mas não temos resposta”.

Pouco tempo depois da independência nacional, aquelas terras foram sempre dedicadas à agricultura.

Jacinto Manjate, um dos membros da comissão da associação envolvida no problema que inquieta os camponeses, também diz que os dirigentes da agremiação é que devem responder pelo esquema já despoletado.

Por seu turno, o secretário da Associação Armando Guebuza, apontado como cúmplice no alegado esquema de venda de machambas, diz ser uma situação complexa, porque não há, até agora, DUAT; sustenta também que houve mudança da actividade e está em curso um parcelamento levado a cabo pelo Município de Maputo.

“O Município de Maputo falhou no parcelamento, entrou um pouco na zona reservada à agricultura e nós, da Associação Armando Guebuza, queremos o DUAT destas machambas”.

A terra em Moçambique é, de acordo com a Lei, propriedade do Estado, pelo que a sua venda ou intermediação é crime. Face às ocorrências do bairro Romão, a administração do Distrito Municipal KaMavota diz que quer reunir e ouvir as partes envolvidas para se inteirar do problema que diz desconhecer.

Partilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos