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“Agora é só acreditar que tudo é possível”

O internacional moçambicano, Reinildo Mandava, diz ter sido bem recebido pelos colegas no Lile, conjunto para o qual se transferira na última janela por empréstimo do Belenenses. O esquerdino promete continuar a trabalhar para se (a)firmar no actual segundo classificado da Ligue 1, campeonato francês de futebol. Reinildo considera que, “se eles me chamaram é porque viram qualidade em mim”. E conclui: “agora é só acreditar que tudo é possível”.

Reinildo uma fase nova para a sua carreira no Lille da França. O que significa para esta nova experiência?
Para mim, representa um novo desafio. Sou jovem e gosto de encarrar os desafios. É uma terra nova, uma equipa nova, mas sempre com os mesmos objectivos, que passam por ajudar o grupo naquilo que são os objectivos da equipa. Está a ser muito bom pra mim, desde a adaptação até ao trabalho que tenho feito lá. Já tive a oportunidade de me estrear. Agora é só continuar a trabalhar para ter a oportunidade de me firmar na posição.

Está no Lille a título de empréstimo. Está é uma oportunidade para agarrar a oportunidade que lhe é dada?
Com certeza, estou emprestado por opção do clube. No fim do campeonato, o Lille vai decidir. Mas para mim, é como tenho dito, vou continuar a trabalhar e o resto vem depois porque se eles me chamaram é porque viram qualidade em mim. Agora é só acreditar que tudo é possível.

Como é que vê o seu progresso no futebol europeu? Entrou pela mão do Benfica, mas teve que passar por clubes de escalões um pouco mais secundários e agora aparece no Lille. Se calhar foram os momentos que fizeram com que eu crescesse, mais pelas dificuldades causadas pela lesão que tive. Depois sai emprestado para o Fafe e segui para o Covilhã. Isso serve de exemplo para os outros companheiros e colegas. Para nós que estamos a sair de Moçambique para a europa, serve como um trampolim, mas tens que trabalhar para fazer o seu nome, que é para as pessoas te conhecerem realmente. Se eu fosse uma pessoa que não gostasse de trabalhar hoje não estaria aqui onde estou agora. Porquê? Porque eu fui para o Benfica, depois fui para o Fafe que era uma equipa que estava a lutar para se manter na primeira divisão. Mas graças a Deus, como eu trabalho arduamente ao mesmo nível e quero sempre superar dia pós dia, então foi isso que aconteceu. Continuei a trabalhar, fui para o Covilhã onde surgiu a oportunidade de seguir para a primeira liga, neste caso o Belenenses. Joguei e, em seis meses, estou aqui. Isto serve de exemplo para muitos colegas e outros que ainda vão sair do nosso país. Em Moçambique, temos muitos talentos, então que sirva de exemplo e seja uma referência. Aquilo que eu passei fez com que eu trabalhasse ainda mais. Portanto, quando este tipo de coisa acontece só se pode esperar algo bom. Foi isso que aconteceu e, agora, estou aqui.

O Lile é o actual segundo classificado da Ligue 1, campeonato francês de futebol, com 57 pontos, menos vinte que o líder PSG. Que tipo de ambiente encontrou e como foi o seu enquadramento?
Desde o primeiro momento receberam-me muito bem. Foi muito bom com os colegas. Como eu sou uma pessoa que se integra muito bem não foi difícil. Eu gosto de trabalhar e sou uma pessoa muito alegre. Isso faz com que as pessoas gostem de mim. Foi fácil porque eles me receberam muito bem.

Qual é a meta? Portugal ou França, neste continuar no Lile onde poderá jogar a Liga dos Campeões? Onde pretende chegar?
Eu vou usar um ditado que a minha avó sempre me disse que quando eu estava no Ferroviário da Beira: meu neto, trabalha sempre que a meta é céu. Claro que eu tenho ambições de chegar a outras equipas e outros campeonatos que eu sempre almejei jogar. Eu continuo a trabalhar e as coisas vão aparecer. Se for para acontecer, as coisas irão acontecer.

“Queria estar na Beira para sentir de perto aquilo que eles estão a sentir”

Porque a opção de Reinildo pelo campeonato francês?
Porque a França? Por causa da oportunidade. Eu sou um jogador, como referia, que gosta muito de desafios. Percebe? Então, como eu já estava há muito tempo em Portugal e, sendo uma equipa que está a lutar pelos seus objectivos, eu disse porque não aceitar estes desafio e tentar ajudar? Foi isso que eu fiz. Para mim, é indiferente pois podia ser Inglaterra ou Espanha. Foi a França e pode servir de trampolim.

Está em França, mas como sabemos é natural da Beira. Qual o seu sentimento após a devastação da cidade da Beira pelo ciclone IDAI? Como é que o Reinildo recebeu esta triste notícia?
Esta é a parte menos boa para mim porque, como vocês sabem, eu sou da Beira. Por aquilo que eu vi, quando cheguei pedi ao seleccionador nacional para me dispensar durante um dia porque eu não tinha nenhuma informação da minha família. Não sabia o que estava a acontecer, estava apenas informado através das redes sociais que o ciclone devastou Beira. Quando cheguei, estava muito preocupado e perturbado. Não sabia qual era a situação da minha família. Eu já perdi pai e mãe e a única família que eu tinha lá era são os meus irmãos, mesmo assim eu não sabia deles. Não sabia o que aconteceu. Foi uma situação muito difícil para mim porque sou muito sentimental.

E como é que conseguiu contactar os seus irmãos, numa situação em que havia problemas de comunicação após a passagem do ciclone IDAI?
Graças a Deus consegui falar com a minha família dois dias depois. Graças a Deus está tudo bem.

Que mensagem deixa ficar a todas as vítimas do ciclone IDAI que provocou mais de duzentos óbitos e um grande rasto de destruição?
Nós beirenses somos nunca desistimos. Portanto, independentemente do que se passou com eles, afectou a mim e a outros beirenses e todo povo moçambicano. Quero dizer a todos que devem continuar com este espírito e nunca desistam. Eu sei que é muito difícil neste momento. Queria estar lá para sentir de perto aquilo que eles estão a sentir. É a província que me fez crescer. Muita força para eles. É com muita que agora irei voltar para a França para continuar com o meu trabalho. Quando voltar de férias, a primeira coisa que irei fazer é viajar para a Beira para tentar ajudar com aquilo que conseguir às famílias que perderam os seus entequeridos e os seus bens e que não tem a possibilidade de ter sequer um prato de comida. Isso choca-me porque eu já passei por isso na vida. Vou ajudar naquilo que for possível. Eu quero ajudar. Sinto-me bem em fazer. Tudo irá correr bem. Tudo irá voltar à normalidade.

 

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