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Aeroporto de Nacala sem solução à vista

Quatro anos após a sua inauguração, o Aeroporto Internacional de Nacala ainda não provou a sua viabilidade: apenas duas vezes por semana, voos da LAM escalam o local, que se debate com uma dívida de pouco mais de 200 milhões de dólares.

Calote! É assim como os brasileiros se referem ao Aeroporto Internacional de Nacala, construído pela Odebrecht, através de um empréstimo de 125 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social brasileiro. “Elefante branco” é a designação mais familiar aqui em Moçambique para designar aquele enorme aeroporto que apenas recebe dois voos semanais da LAM e meia dúzia de avionetas privadas por mês.

Uma realidade que, para já, não mostra sinais de mudar. “O Aeroporto de Nacala, realmente, desde que abriu em 2014 ainda não conheceu o que estava previsto”, assumiu Emanuel Chaves, Presidente do Conselho de Administração da empresa pública Aeroportos de Moçambique, numa conversa que decorreu, semana passada, no hall principal, cujo cenário eram os oito balcões de check-in sem um funcionário sequer e, claro, sem passageiros. Uma realidade que resume à inviabilidade daquela infra-estrutura localizada a 190 km da cidade de Nampula.

“O que estava previsto na sua materialização tinha um conjunto de pressupostos. Infelizmente, parte desses pressupostos não estão ainda a ser concretizados e um deles previa que houvesse uma companhia aérea baseada aqui em Nacala. Fizemos um trabalho com vista a atrairmos uma companhia para estar baseada aqui e essa companhia tinha que fazer voos domésticos e internacionais. Portanto, tinha que ser uma companhia aérea doméstica nacional e não estrangeira”, facto que não aconteceu, aliás, a própria LAM nunca teve essa pretensão, pelo que essa equação carecia de fundamento da parte dos que projectaram aquele “monstro” para Nacala, porque mesmo a agora Ethiopian Moçambique, que se especulava que se baseasse em Nacala, não o fará, por enquanto, porque estranhou o facto de nenhuma companhia aérea doméstica “comprar” essa ideia de se basear em Nacala.

Sem fazer dinheiro e com uma dívida de pouco mais de 200 milhões de dólares, a empresa Aeroportos de Moçambique vê-se na contingência de conviver com um verdadeiro cancro financeiro. “O custo de manutenção deste aeroporto é grande, primeiro, porque pelo investimento feito temos que amortizar, depois, são custos específicos de limpeza, energia eléctrica, mão-de-obra que já está a trabalhar aqui, porque temos que pôr o aeroporto pronto”, disse Emanuel Chaves, que terminou dizendo que, para cobrir todas essas despesas, a instituição que dirige recorre aos chamados subsídios cruzados, em que o rendimento de outros aeroportos é canalizado para cobrir as despesas naturais do aeroporto “fantasma” de Nacala.

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