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ACNUR volta a falar de tragédia humanitária em Cabo Delgado

Gillian Triggs, uma das Assistentes do Alto-comissário do ACNUR (Agência das Nações Unidas para os Refugiados) para Protecção e Operações classifica de verdadeira tragédia humanitária que continua a se registar em Cabo Delgado, na sequência da insegurança provocada pelos grupos terroristas que operam naquela província.

Depois de uma missão a uma semana para se inteirarem do ponto de situação, numa delegação que inclui Raouf Mazou, outro Assistente do Alto-comissário da ACNUR, Filippo Grandi, a equipa emitiu um comunicado de imprensa, que descreve o que se passa no terreno.

“A província do norte continua enfrentando uma grave e preocupante crise humanitária e de proteção. Os deslocados agora chegam a quase 700.000, mas os números continuam a aumentar como resultado da crescente insegurança e da violência generalizada no norte do país” explica o comunicado, recebido na nossa redacção.

Segundo o comunicado, os Assistentes do Alto-comissário estiveram em Ancuabe, “onde as famílias enfrentam dificuldades para retomar a sua vida normal devido à falta de condições dignas, pouco ou nenhum acesso à alimentação, saúde e educação, bem como abrigo adequado”.

“Esta é uma verdadeira tragédia humanitária, que traz também necessidades de protecção para essas mulheres, crianças e homens. Eles fugiram do pior conflito que se possa imaginar e enfrentaram viagens perigosas, alguns em barcos e outros por terra, para encontrar algum tipo de segurança nas comunidades anfitriãs em Cabo Delgado. Escutei tragédias humanas inacreditáveis”, disse Gillian Triggs.

No meio a dificuldades, os enviados da ACNUR destacam a solidariedade das comunidades hospedeiras, que tudo tem tentado fazer para minimizar o sofrimento de quem chega.

“As comunidades anfitriãs têm sido incrivelmente hospitaleiras ao receber milhares de famílias deslocadas. O ACNUR está trabalhando com o Governo e outras organizações internacionais e parceiros para fornecer ajuda, mas recursos adicionais são necessários, considerando que o deslocamento de pessoas pode não parar tão cedo”, revelou Raouf Mazou.

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