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ACNUR e parceiros prestam apoio a milhares de pessoas após ciclone tropical Gombe

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), junto ao Governo de Moçambique e parceiros humanitários, agiliza recursos para ajudar milhares de famílias afectadas pelo ciclone tropical Gombe, que destruiu casas, inundou terras e forçou a deslocação de pessoas.

Gombe foi a tempestade mais forte a atingir Moçambique desde os ciclones Idai e Kenneth, que causaram estragos na primavera de 2019, matando centenas e deslocando cerca de 2,2 milhões de pessoas. “Gombe” atingiu o país em menos de dois meses após a depressão tropical Ana, que atingiu o Norte e Centro de Moçambique a 24 de Janeiro, afectando 180.869 pessoas, ferindo 207 e matando pelo menos 38, maioritariamente nas províncias da Zambézia, Nampula e Tete.

Embora a intensidade e o impacto do ciclone Gombe pareçam menos severos do que Idai e Kenneth, esta tempestade de categoria 4 trouxe ventos fortes de até 190 km/h, chuva intermitente e trovoadas, danificando infra-estruturas críticas e interrompendo o fornecimento de electricidade e comunicações na cidade de Nampula, bem como no Centro de Refugiados de Maratane, suas proximidades e nos locais de acolhimento de deslocados internos (IDPs) da província de Cabo Delgado.

Mais de 380 mil pessoas foram afectadas somente na província de Nampula, segundo as autoridades locais, incluindo dezenas de milhares de deslocados. Estas pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária, incluindo materiais de abrigo para reconstruir suas casas, as quais desmoronaram durante a tempestade.

Entre os afectados, está uma refugiada burundesa e mãe solteira de três filhos, que disse que a sua família havia fugido para a casa de um vizinho no Centro de Refugiados de Maratane, após a sua casa ter sido completamente destruída. Um jovem disse que as suas plantações foram devastadas pelo ciclone, deixando-o com receio de não conseguir mais sustentar a si mesmo e sua família de quatro agregados.

O ACNUR está a providenciar material de abrigo e outros itens essenciais para apoiar 62.000 refugiados, deslocados internos e membros da comunidade de acolhimento. Várias instalações de infra-estrutura básica também foram danificadas no Centro de Refugiados de Maratane – que abriga 9.300 refugiados – como a escola primária, centro de saúde, armazéns do ACNUR, centro de trânsito e sistema de irrigação. É necessário mais financiamento para garantir que essas reparações possam ser feitas, evitando, assim, que os serviços básicos para os refugiados não sejam interrompidos.

O ACNUR, como agência líder do Cluster de Protecção e seus parceiros, conduziu visitas aos centros de acomodação que hospedam famílias recém-deslocadas, para avaliar as suas necessidades, como abrigo, alimentação, saúde, protecção contra exploração e abuso sexual (PSEA) e serviços de saúde mental e apoio psicossocial.

Em paralelo, o ACNUR trabalha no sentido de fornecer acesso à documentação civil aos deslocados internos, já que muitos perderam os seus documentos ao fugir de casa. Todas as regiões enfrentam riscos climáticos.

Os ciclones e outras tempestades são frequentes e graves, as inundações são mais fortes, as secas cada vez mais intensas e os incêndios florestais mais devastadores. As mudanças climáticas induzidas pelo homem são mais recorrentes e causam perturbações graves e generalizadas à natureza e às pessoas.

Aqueles com menos meios de adaptação são os mais atingidos, incluindo refugiados e deslocados internos. Mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e povos indígenas são afectados desproporcionalmente. Mais de 80% dos refugiados e deslocados internos vêm dos países mais vulneráveis ao clima em todo o mundo.

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