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Acesso ao transporte público continua um martírio na capital

O acesso ao transporte de passageiros no país, particularmente na Cidade de Maputo, continua um martírio. Nos terminais e nas paragens, persistem as longas filas e há gente que espera durante horas por um autocarro. O transporte continua longe de responder à demanda.

Joaquim Taimo faz o trajecto Praça dos Combatentes-Museu, parou seu autocarro no terminal de Xiquelene, onde os passageiros estavam à espera . Em pouco tempo, a viatura ficou lotada. Taimo aponta que a situação é mais difícil nas horas de ponta. “Nas primeiras horas, há sempre falta de autocarros, de manhã assim como à tarde, e há muitos passageiros”, conta.

E, de facto, é na hora de ponta em que tudo se complica. Nas manhãs, por exemplo, todos procuram pelo transporte para os vários destinos.

Almeida António viu-se em embaraços com a Polícia Municipal porque entrou no terminal já com passageiros. São os famosos encurtamentos de rota ou ligações a que os passageiros são submetidos e o motorista explica-se.

“O que acontece, para nós que viemos da Cidade, é que há pessoas que sobem no Saul e não descem, fazem ligações até aqui no terminal”, concluiu o motorista.

Mas a explicação não convenceu a agente da Polícia Municipal. E, por isso, ordenou o desembarque dos passageiros que  fizeram ligações para que embarcassem os que estavam na fila de espera.

Na mesma fila, estava um homem com deficiência motora que quase foi “engolido” pela multidão ao tentar subir o “chapa”, que não está equipado para acomodar pessoas com deficiência, mas o homem acabou vencendo a batalha e subiu.

É assim todos os dias, os utentes deploram a situação actual do transporte na capital do país.

Aquele cenário alia-se à recente subida de combustíveis que deixou os operadores sem muito espaço para manobra. “Está difícil, não temos alternativa, vamos trabalhar, mas estamos apertados”, disseram os automobilistas abordados pela reportagem do Jornal “O País”.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) através do seu Presidente Castigo Nhamane diz mesmo que, por estas alturas, não recomenda o agravamento da tarifa do transporte. Porque se isso acontecer, não será acima de 2 Meticais, mas garante que vai se assistir a falta de transporte nos próximos dias, influenciado pelo agravamento do preço de combustível.

“Nos próximos dias, a falta de transporte até pode vir a aumentar, porque alguns operadores poderão perder a capacidade de conseguir abastecer os carros o que vai acontecer e, esses vão parquear seus carros, daí irá notar-se a falta de transportes.”

Aliás, não precisa esperar muito tempo, é já notável a falta de transporte onde os cidadãos ficam muito tempo à espera e o transporte quando chega não leva a todos, que o diga Mira Aly que viu a sua agenda comprometida porque o transporte atrasava. “Esta situação é insuportável , é só olhar para a fila que é bastante longa e falta transporte.”

Mas teve depois um final feliz, pois, Mira Aly conseguiu embarcar e acomodar-se, uma sorte que não é para todos. No terminal rodoviário do Zimpeto, mesmo depois das 8 horas da manhã, continuava com filas enormes e muitos passageiros em terra.

A FEMATRO defende mudança de abordagem no sector de transporte, sugere que o Governo deve deixar de comprar autocarros, deixando essa responsabilidade para os próprios operadores, e que sejam instituídas lojas de venda de peças e acessórios de desgaste rápido, que possam ser comercializado a preços bonificados, para diminuir os custos.

“O Governo passa a vida a comprar autocarros e os mesmos cinco ou seis anos depois já não estão a circular. Os operadores não têm dinheiro para comprar autocarros e o Estado tem que voltar a comprar porque quer ver o seu povo a ser transportado, nós achamos que não devia ser assim”, disse.

A Agência Metropolitana de Transportes de Maputo prometeu pronunciar-se esta quinta-feira sobre a problemática do transporte e, com particular destaque, para os 80 autocarros movidos a gás, recentemente adquiridos pelo Governo.

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