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Acções coordenadas podem reduzir incidência da desnutrição no país

O posicionamento foi deixado hoje pelo painel que discutiu o tema “Fome Oculta”, um problema evitável e que se negligenciado pode causar problemas de saúde graves.

 

Descrita como sendo a redução gradual de micronutrientes no organismo resultante do consumo insuficiente de alimentos ou falta de uma alimentação diversificada, a fome oculta, apesar de silenciosa, pode levar a complicações de saúde como explicou a nutricionista, Kátia Mangujo, do Ministério da Saúde.

“É muito difícil identificar que o indivíduo ou paciente tem problemas de micronutrientes, só no estado mais grave é que aparecem sintomatologias como manchas resultantes da pelagra, uma doença resultante da deficiência da Vitamina B3. O indivíduo pode apresentar ainda osteoporose que é uma doença metabólica do esqueleto na qual os ossos perdem a rigidez, tornando-se porosos causada pela deficiência do cálcio, mas isso só em casos em que as reservas do indivíduo ficaram esgotadas”, disse a profissional para depois falar da necessidade de todos fazerem exames regulares de saúde.

“Um exame detalhado pode descobrir essas situações, por isso, recomendamos que os indivíduos possam fazer exames detalhados de saúde duas vezes ao ano para aferir o funcionamento do seu organismo. Ademais, é importante ter uma alimentação saudável, equilibrada e que incorpore bastante frutas e verduras que é onde esses micronutrientes podem ser encontrados”, detalhou a profissional.

Todas as pessoas estão susceptíveis de ter fome oculta “mas há grupos mais vulneráveis, pois a manifestação dessa fome oculta pode resultar em morte. Falamos de mulheres grávidas e crianças com idades compreendidas dos zero aos cinco anos de idade”, terminou.

E por reconhecer a gravidade da situação da desnutrição crónica no país, em 2016 o Governo tornou obrigatória a fortificação de alguns produtos.

“O que temos que ter consciência é que alimentar-se não significa apenas ingerir alimentos, temos que ter conhecimento do valor nutricional desses alimentos que estamos a ingerir. Por isso que a fortificação aparece como uma estratégia para reduzir essas situações de desnutrição. Esse processo de fortificação depende de país para país. Em Moçambique temos doenças associadas a deficiência do iodo, por isso obrigamos a adicção do iodo no sal, a adicção da vitamina A no óleo alimentar e no açúcar. Temos ainda a adicção do ferro, zinco, ácido fólico e vitamina B12 nas farinhas de milho e trigo. As indústrias têm trabalhado connosco como parceiras dessa iniciativa e elas adicionam esses aditivos nesses produtos”, Eduarda Mungoi do Programa de Fortificação de Alimentos no Ministério da Indústria e Comércio.

A oradora falou ainda dos critérios que ditaram a escolha desses produtos para a fortificação obrigatória pelas indústrias.

“Primeiro houve uma fase voluntária que chamamos de experimento, mas depois tornamos a medida obrigatória. Normalmente, em todo o mundo, esta questão de fortificação olha-se para os alimentos considerados básicos. E esses produtos são considerados básicos no nosso país e regra-geral as famílias usam esses produtos para confecionar as suas refeições”, terminou.

Por seu turno, Maria Andrade que trabalhou 20 anos com o melhoramento genético da batata-doce, o que lhe valeu um prémio em 2016 defendeu que aposta da batata de polpa alaranjada tem garrado benefícios nas comunidades.

“Quando iniciamos o nosso trabalho de melhoria da batata-doce, que iniciou em 1999, com introdução de variedades de fora, verificamos que 69 porcento de crianças com idade inferior a cinco anos tinham deficiência da vitamina A, hoje em dia, estamos em 64 porcento. Hoje em dia, a batata de polpa alaranjada ficou uma cultura que é utilizada em todos os trabalhos de nutrição, através das ONGs, o governo. Ficou como uma cultura de rendimento e vários outros países do continente africano foram beneficiados por esse trabalho de Moçambique. Essas variedades vão para vários países de África e da Ásia”, terminou.

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