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A vez da Tmcel de dizer “Sim Senhora” a Paulina Chiziane

Foto: O país

A empresa de telefonia Moçambique Telecom (Tmcel) homenageou, na semana finda, a escritora Paulina Chiziane, figura emblemática e incontornável da literatura moçambicana,  vencedora do Prémio Camões 2021, o galardão literário de maior prestígio atribuído aos escritores de língua portuguesa.

Este reconhecimento, que está inserido no âmbito das acções de responsabilidade social corporativa da empresa, faz parte das iniciativas que têm sido promovidas, há anos, pela Tmcel com vista à valorização dos fazedores da cultura, em geral, e da literatura, em particular.

O acto visa, igualmente, incentivar e estimular o gosto pelas artes e letras no seio dos cidadãos, com destaque para os jovens, através do patrocínio à publicação, divulgação e promoção das obras dos artistas.

Conforme explicou o presidente do Conselho de Administração da Tmcel, Mahomed Rafique Jusob, homenagear Paulina Chiziane é exaltar as artes e letras moçambicanas, pois se trata de uma escritora reconhecida no país e além-fronteiras pelo trabalho que tem vindo a desenvolver em prol da literatura moçambicana, o que faz dela a única e a mais respeitada por todos, tendo, por isso, sido distinguida com o Prémio Camões 2021, tornando-se a primeira mulher africana a obter tal distinção.

Por isso, prosseguiu  Jusob, “honra-nos associar a Tmcel a uma figura desta dimensão, a mãe da literatura moçambicana, que relata momentos e factos que nos permitem uma melhor compreensão da nossa história, a história dos moçambicanos. Hoje, volvidos vários anos, é notável o crescimento qualitativo do engajamento da empresa nesta vertente, tornando-a parceira e parte relevante da dinâmica literária e da cultura nacional, mantendo e alargando o espaço de debate e interpretação da literatura e arte contemporâneas em Moçambique”.

Na ocasião, o PCA da Tmcel reiterou o compromisso de a empresa fazer parte de iniciativas similares, como forma de contribuir para “o reforço das dinâmicas da nossa literatura, da nossa arte e da nossa cultura, de modo geral, para que juntos continuemos a desenvolver Moçambique”.

Por seu turno, Paulina Chiziane, visivelmente emocionada, agradeceu o gesto da Tmcel, empresa que considera sua parceira desde o primeiro momento, quando muitos não acreditavam no “poder” da sua obra, muito menos no impacto que esta poderia ter, no país e no mundo.

“Hoje, aos 66 anos de idade, estou a receber o carinho de todos vocês, crianças e adultos, por um trabalho que comecei a fazer quando era pequena, com cerca de 10 anos de idade. Obrigado pelo carinho. A Tmcel é uma empresa que sempre me apoiou. Sou parceira da Tmcel desde os primeiros trabalhos. Havia livros que eu escrevia e as pessoas diziam mas isso não fica bem. Falar destas coisas não fica bem. Diante daquilo, fui à Mcel, na altura, e expliquei a razão de ser, escrever e querer publicar os livros”, contou.

“Sentia e ainda sinto que quando escrevemos a nossa história, fazemo-lo na leveza e na superficialidade para ficar bonito e os outros gostarem. Na altura, a Mcel apoiou-me. Foi um trabalho que fazia o relato de um Moçambique profundo. Refiro-me às obras ‘Por Quem Vibram os Tambores do Além’, ‘O Canto dos Escravos’ e ‘O Alegre Canto da Perdiz’”, acrescentou a escritora.

São, na sua opinião, “livros que cavam a história na sua profundidade, por isso a Mcel apoiou, porque considera que uma verdadeira e profunda literatura vai à busca do resgate das suas raízes. Os livros não foram bem recebidos aqui, houve alguns ruídos, mas foram best sellers (mais vendidos) em muitas partes do mundo. Continuem a financiar este trabalho de resgate de um Moçambique profundo”.

Durante a cerimónia, a Tmcel atribuiu a Paulina Chiziane um diploma de mérito e um telemóvel com número vitalício, sem custos no uso de voz e dados dentro do país, e não só, ofereceu exemplares das suas obras à Escola Primária Completa a Luta Continua, localizada no centro da Cidade de Maputo, como forma de promover a leitura aos petizes.

Nascida em 1955, em Manjacaze, província de Gaza, Paulina Chiziane foi a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, em 1990, “Balada de Amor ao Vento”. Escreveu, ainda, “Ventos do Apocalipse”, “O Alegre Canto da Perdiz”, “As Andorinhas”, “Na Mão de Deus”, “Por Quem Vibram os Tambores do Além”, “Ngoma Yethu: O Curandeiro e o Novo Testamento”, “O Canto dos Escravos” e “Niketche”. Em 2022, lançou, em conjunto com Dionísio Bahule, o livro “A voz do Cárcere”, um relato dos reclusos.

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