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“A salvação não se manifesta nos encontros internacionais ou ministeriais, mas na simplicidade da fé”

A tradição dura há mais de dois mil anos. Conforme o costume, um pouco por todo o mundo os cristãos reuniram na véspera do Natal para celebrar a missa de galo, que anuncia, segundo o cristianismo, o nascimento do filho unigénito de Deus. Na cidade de Maputo, este ano, o cenário não foi diferente. Antes pelo contrário, os fiéis reuniram-se, na noite de terça-feira, para comemorar a vinda do Messias.

Na Sê Catedral de Maputo, os católicos oraram por mais ou menos duas horas, numa missa dirigida por Dom Francisco Chimoio. O Arcebispo católico explicou aos crentes, os seus irmãos em Cristo, que o Natal leva-lhes a contemplar o incrível amor de Deus, que se preocupa pela Humanidade e com a sua felicidade até ao ponto de ter enviado o único filho para salvar o mundo do mal e do pecado.

Dom Francisco Chimoio entende que o presépio apresenta a todos a lógica de Deus, que não tantas vezes é desigual à lógica dos homens. E explicou: “a salvação de Deus não se manifesta nos encontros internacionais, onde os donos do mundo decidem o destino dos homens, nem nos gabinetes ministeriais, nem nos conselhos de administração das multinacionais, nem nos salões onde se concentram as estrelas do jet set, mas numa gruta de pastores, onde brilha a fragilidade, a ternura, a simplicidade de um bebé nascido”.

No momento da homilia, Dom Chimoio afirmou ainda que a vinda de Jesus ao mundo é boa notícia, que deve constituir razão de felicidade para os pobres e marginalizados. Para o arcebispo, o Natal é a prova de que Deus ama a todos os oprimidos ou miseráveis. “Deus demonstra com o Natal que nos ama e que quer caminhar com todos nós”.

Com a vinda do seu unigénito ao mundo, Deus dá essa grande prova de que quer bem à Humanidade, com verdade, vida e luz. Este também é o entendimento do padre anglicano Vítor Zacarias. Na missa celebrada na Igreja São Cipriano, na cidade de Maputo, o padre aconselhou aos crentes para que aproveitem a época do Natal, da manifestação da graça de Deus, para inundarem os seus corações de amor, paz e solidariedade, de modo que o propósito da vinda de Jesus à terra, o da salvação, se concretize, "porque Deus, nosso pai, gosta muito de nós.

Então, por que é que nós não nos toleramos e não gostamos uns dos outros? Devemos amar o próximo como Deus nos ama".

Os fiéis cristãos concordaram, na missa de galo, que Jesus veio de Deus para instaurar a justiça, a paz e a honestidade, no mundo e nos corações dos humanos, e, consequentemente, eliminar as sombras que oprimiam o mundo. Assim, entendem os tementes a Deus, como o pastor da Igreja Metodista, Armindo Cumbe, que acolher Jesus é celebrar o seu nascimento e aceitar o projecto de justiça e de paz que trouxe aos homens.

Assim, o Arcebispo Católico Dom Chimoio colocou aos crentes perguntas retóricas: "Como se consegue a salvação, confiando-se nos políticos, que se servem da minha ingenuidade para alcançarem fins próprios? Pondo a minha confiança no dinheiro, que se desvaloriza e não serve para comprar a paz? Ou invisto na condição sólida da minha empresa, que a qualquer momento pode ter prejuízos? Isaías ensina-nos que devemos confiar apenas em Deus e em Jesus se quisermos encontrar a luz e a paz".

Como que a complementar as palavras dos outros padres cristãos, o pastor Armindo Cumbe defendeu que as pessoas devem e precisam viver de outra forma, corecta e justa, comprometendo-se com o evangelho, porque a terra não é uma pátria definitiva. Os cristãos entendem que estão no mundo para procurar pela sua morada, que fica lá onde se encontra sentado Jesus à direita do pai.

Para o efeito, salientou, o pastor da Igreja Metodista: "Jesus é o salvador que Deus nos deu para dar ao mundo para redenção da humanidade. Basta a fé para nos livrarmos do mal".

 

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