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A divisão dos primeiros USD 50 milhões de subornos

Os primeiros pagamentos de subornos das dívidas ocultas foram para o trio Ndambi Guebuza, Teófilo Nhangumele e Bruno Langa. Informação consta da acusação da PGR remetida ao tribunal judicial da capital na semana passada. São 120 páginas (excluindo os anexos) de muitas revelações sobre quem fez o quê e quanto recebeu por isso.

Faz hoje seis anos e dois dias que caíram nas contas de Armando Ndambi Guebuza, Teófilo Nhangumele e Bruno Langa os primeiros pagamentos de subornos para a aprovação do projecto (protecção da zona económica exclusiva de Moçambique) da ProIndicus.

O primogénito de Armando Guebuza, antigo Presidente da República, recebeu, na primeira transferência datada de 25 de Março de 2013, 19.8 milhões de dólares, equivalentes a 60% do total de 33 milhões de dólares que encaixou do grupo Privinvest.

Na mesma data, Teófilo Nhangumele e Bruno Langa receberam, cada, 5.1 milhões de dólares. A primeira transferência corresponde a 60% do total de 8.5 milhões de dólares que cada um recebeu do mesmo grupo baseado em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.

Passados três meses (Junho de 2013), os três arguidos receberam 20% do total a que cada um tinha direito e, seis meses depois, os últimos 20% caíam nas suas contas abertas em Abu Dhabi. As contas de Teófilo Nhangumele e Bruno Langa estão domiciliadas no First Gulf Bank e a de Ndambi Guebuza no National Bank of Abu Dhabi.  

A ordem de pagamento dos subornos foi emitida a 23 de Janeiro de 2013, pela Privinvest Shipbuilding, através de uma instrução dirigida ao gerente do First Gulf Bank, de nome Nauman Nazir, orientando que depois da recepção da primeira tranche do valor referente ao contrato entre Privinvest e ProIndicus, o banco devia iniciar as transferências para as contas dos três arguidos.

Por isso, os primeiros pagamentos de subornos ocorreram quatro dias depois da transferência de 327.9 milhões de dólares do banco Credit Suisse para a Privinvest Shipbuilding, a construtora naval que celebrou o contrato de fornecimento de bens com a ProIndicus.

Para justificar os pagamentos de subornos, o grupo Privinvest, através de Jean Boustany (detido nos Estados Unidos desde Dezembro último), e os três co-arguidos forjaram dois contratos de consultoria e serviços. À luz dos contratos assinados a 12 de Janeiro de 2012, os arguidos iam prestar à Privinvest consultoria e outros serviços em regime de exclusividade durante 18 meses.

O MECÂNICO HIDRÁULICO CHAMADO NDAMBI GUEBUZA
Forjados os contratos para branquear os pagamentos de subornos, os arguidos tinham outra batalha: forjar vínculo laboral com a Privinvest para conseguir vistos de trabalho que lhes permitissem permanecer em Abu Dhabi. É aqui onde surge a história do mecânico hidráulico. Ndambi Guebuza obteve um visto de trabalho após se apresentar às autoridades como mecânico hidráulico contratado pela Logistics International SAL; Teófilo Nhangumele era engenheiro mecânico de petróleo e Bruno Langa era engenheiro mecânico diesel, da mesma empresa.  

Ndambi, Nhangumele e Langa foram os primeiros arguidos a receber subornos das dívidas ocultas, numa extensa lista de quase duas dezenas de pessoas. Tal como a maioria dos arguidos, Bruno Langa e Teófilo Nhangumele aplicaram grande parte do valor em investimentos imobiliários.

 

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