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A cidade despida pelo inimigo invisível

O relógio corre a velocidade dos efeitos de implementação das medidas de combate a COVID-19. A cada tic-tac a indecisão sobre o futuro cresce porque quem gosta dum bom garfo, tem de degustar em casa.  

“Vamos dividir o número pela metade e trabalhar em número reduzido” admitiu o gestor do restaurante do Bom Garfo, Ernesto Cossa.

Número reduzido, pelo menos até aqui, não significou despedimentos. “Isso não implica despedimentos, implica que alguns colaboradores serão dispensados para ficar em casa, em férias colectivas, enquanto os outros estão cá a trabalhar” acrescentou Cossa.

Trabalham mas nem as moscas arriscam aqui estar, afinal, todos têm medo da Covid-19. 

Mas o Bom Garfo não é o único restaurante abalado, o Sagres, até tomou medidas adicionais e logo a entrada por exemplo, foi colocado uma bacia na entrada contendo desinfectante para os pés, assim como para as mãos, a proteção é a dobrar, mas os clientes, estes, preferem comer em casa.      

 “Ontem só tivemos o máximo cinco clientes, eles quando ligam fazem take away, porque estão em quarentena, preferem comer em casa, então só vem levantar os produtos” explicou o gestor do Sagres, Nelson.  

O sagres tem produtos mas tal como a cidade portuguesa do Porto, o Sagres esta despida de gente e os 5 trabalhadores que faziam serviços mínimos vão juntar-se aos outros e gozar de férias forçadas. “Pra já como a situação esta meio assim teremos de fechar mesmo” acrescentou Nelson.

E quando o fizer não será o 1º, 2º ou 3º porque Maputo esta a fechar as portas ao risco de contaminação pela COVID-19.

O restaurante Da Kota, o El Patron e o South Beach todos estão com as portas fechadas. No coração da cidade o cenário não é diferente. Kardápio Kaseiro, Beergarden e Matchedje são outros exemplos de um cenário cada vez mais incerto, sombrio e assustador.

“As empresas privadas estão a ficar assustadas porque não tem feedback, não sabem o que fazer, e já estão a pensar em despedir, e despedir é a pior solução” defendeu Sura Adrianópolis, proprietária da discoteca Opium.

Despedir também é a mais provável saída para estabelecimentos de diversão como o Opium, que antevê dificuldades até para o pagamento de impostos.

“Se o governo não se chegar à frente com uma solução para nós os empresários, de ajudar, nos não vamos ter como fazer face a estes pagamentos, nós não sabemos como vamos fazer para pagar” alertou Adrianópolis.

CINCO HOTÉIS ENCERRADOS DEVIDO A COVID-19

Os estabelecimentos de diversão e os restaurantes não são os únicos abalados pelos efeitos da Covid-19, os hotéis também o são.

“Todos temos de trabalhar como equipa, ninguém irá vencer neste jogo, acredito que todos vamos sofrer, então temos de trabalhar juntos para combater e erradicar a Covid-19” defendeu o responsável pelo Hotel Polana, Abhishek Negi.

Mas nem todos hotéis conseguiram manter-se a funcionar com a redução da capacidade de produção em 95 por cento, e cinco deles encerraram, e o "O Pais" sabe que são o "Stayeasy, Onomo, Terminus e City Lodge".

“Se tomarmos em consideração que os nossos estabelecimentos tem um universo acima de 100 trabalhadores, se são 5 unidades estamos a falar de cerca de 500 trabalhadores ou 600 trabalhadores por aí em diante” revelou o Presidente da Associação dos Hotéis, Vasco Manhiça.

 

Não tem os trabalhos perdidos mas estão em risco, afinal, o turismo é dos sectores mais afectados pela Covid-19.

POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA O PROBLEMA

Com o quadro cada vez mais "negro" urge tomar medidas para que os efeitos da pandemia não forcem as empresas a declarar estado de falência.

Para o Presidente da Associação dos Hotéis, Vasco Manhiça a ajuda pode vir de várias direcções. "O INSS pode de certa forma dar um empurrão, uma ajuda pelo menos para garantir o salário dos trabalhadores" idealiza.

Mas há outros cenários. "Podemos, naturalmente, com ajuda da banca, olhar para aquilo que seria realmente o futuro logo que houver condições para a retoma" coloca o presidente da Associação dos Hotéis.  

Por fim, Vasco Manhiça defende que "como forma de aliviar a nossa asfixia o governo pode tomar alguma medida no sentido de minimizar as taxas de pagamento de água, energia" finalizou.

São esboços, porque ninguém sabe ao certo se o um de 1 de Maio, último dia do Estado de Emergência, marcará o regresso dos velhos dias, ou se a pandemia levará a tranquilidade e os postos de trabalho que existem hoje.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique faz um prognóstico assustador do primeiro semestre do sector do turismo.

No cenário otimista, onde os efeitos da Covid-19 duram 3 meses, a CTA antevê perdas de quase MZN 3.4 biliões (80%). Já no cenário pessimista, em que os efeitos da pandemia duram 6 meses, a CTA prevê perda de negócio no sector a rondar os MZN 4,6 biliões (95%).

 

 

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