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7500 Meticais continua a opor INAS e vítimas do Idai em Sofala

Nos últimos dois dias, o pagamento de sete mil e quinhentos meticais a parte das vítimas do ciclone Idai, corria tranquilamente, nas cidades da Beira e Dondo, depois da agitação da semana passada. Mas esta quarta-feira tudo mudou.

Duas manifestações, uma em cada cidade, marcaram o terceiro dia de pagamento de subsídios às vítimas do ciclone Idai. Na Beira centenas de supostos beneficiários amotinaram-se na delegação do Instituto Nacional de Acção Social (INAS) em Sofala, para apresentar diferentes reclamações e exigirem explicações sobre o paradeiro do dinheiro a que tinham direito de receber. Na circunstância, os revoltosos desrespeitaram completamento as medidas de distanciamento social.

Rosa Nhamicie, contou ao “O País” que, no passado sábado, numa das listas afixadas na Escola Secundária Samora Moisés Machel, na cidade da Beira, viu o nome do seu marido. Na terça-feira, logo pela manhã, dirigiu-se à mesma escola a fim de proceder ao levantamento do valor, mas sem sucesso.

“Infelizmente, esqueci o bilhete de identidade [em casa] e na sala não me deixaram levantar o valor. Sai a correr para a minha casa e retornei à sala cerca de uma hora depois. Para meu espanto, quando chegou a minha vez para levantar o valor notei que alguém tinha assinado e levantado o valor. Os agentes do INAS, em de serviço [nesse dia], afirmaram que não sabiam em que circunstâncias o dinheiro foi levantado. Recebi orientações para seguir até à delegação do INAS e estão a orientar-me para retornar a escola. Já não sei o que fazer… peço ajuda do governo”, pediu Rosa Nhamicie.

Um facto idêntico aconteceu com Eliza Zacarias, que depois de ter ficado cerca de três horas na fila, chegada a sua vez, foi informada que alguém já tinha assinado e levantado o seu valor.

“Mas, afinal, o levantamento destes valores não é mediante a apresentação do bilhete de identidade ou um outro documento com uma fotografia [do beneficiário] ”, contou a mulher acima mencionada, afirmando que ficou surpresa com a informação segundo a qual alguém já tinha levantado o seu dinheiro. “Exijo explicações e quero os meus sete mil e quinhentos meticais”.

Enquanto isso, no Dondo, os manifestantes exigiam clareza em relação ao processo de pagamento dos subsídios. Parte dos entrevistados alegaram que foram cadastrados no ano passado, daí que, de acordo com o INAS, só as pessoas registadas nesse período é que  “tinham direito ao subsídio”.

“Fomos sim cadastrados. Registaram os nossos nomes e tiraram-nos fotografias. Para o nosso espanto, hoje os nossos nomes não fazem parte das listas e vemos indivíduos que não são dos nossos bairros a receberem os valores. Jovens, na sua maioria mulheres oriundas de outros pontos da provincia de Sofala é que estão a receber os valores. Queremos o nosso dinheiro”, afirmou Carlos Zaqueu, o líder do grupo que contesta a alegada falta de transparência no processo.

Mediante estas alegacões, o delegado do INAS em Sofala garantiu que os técnicos da sua instituição irão analisar caso a caso, na presença dos lideres comunitários, para aferir o que efectivamente aconteceu de modo que nenhum beneficiário previamente cadastrado fique sem receber o seu valor.

Refira-se os sete mil e quinhentos meticais são metade de um valor disponibilizado pelo Governo e parceiros para apoiar parte das pessoas que foram vítimas do ciclone Idai, em Março do ano passado, na província de Sofala. A outra metade será paga em data a ser anunciada oportunamente.

 

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